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Prostatite: sintomas, tratamento e por que ela pode elevar o PSA

Dor ao urinar, desconforto na região pélvica, febre — e, muitas vezes, um exame de PSA alterado que assusta. A prostatite é a inflamação da próstata e representa o problema urológico mais comum em homens com menos de 50 anos, embora possa ocorrer em qualquer idade.


Além do incômodo que causa, a prostatite tem uma importância especial para quem acompanha a saúde da próstata: ela é uma das principais causas benignas de elevação do PSA. Entender essa relação evita sustos desnecessários — e também evita que um resultado alterado deixe de ser investigado quando realmente merece atenção.


O que é prostatite?

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz, localizada logo abaixo da bexiga, que participa da produção do sêmen. Prostatite é o termo usado para a inflamação dessa glândula, que pode ocorrer com ou sem infecção por bactérias. A classificação mais utilizada divide a prostatite em quatro tipos:

  • Prostatite bacteriana aguda: infecção súbita, geralmente causada por bactérias do trato urinário (como a Escherichia coli). É a forma mais intensa, com febre e mal-estar, e exige tratamento imediato.

  • Prostatite bacteriana crônica: infecções urinárias que se repetem porque a mesma bactéria persiste dentro da próstata, mesmo após tratamentos.

  • Síndrome da dor pélvica crônica (prostatite crônica não bacteriana): a forma mais comum — corresponde a cerca de 90% dos casos. Há dor e sintomas persistentes, mas os exames de cultura não identificam bactéria.

  • Prostatite inflamatória assintomática: inflamação descoberta por acaso em exames ou biópsias, sem nenhum sintoma. Em geral, não precisa de tratamento.


Sintomas: como a prostatite se manifesta

Na forma aguda, o quadro é difícil de ignorar: febre, calafrios, dor ao urinar, vontade frequente de urinar, jato fraco, dor na região pélvica ou perineal (entre o escroto e o ânus) e mal-estar geral. Em alguns casos, o paciente não consegue urinar. Essa situação é uma urgência e deve ser avaliada no mesmo dia.


Nas formas crônicas, os sintomas são mais arrastados e variáveis: dor ou desconforto pélvico que persiste por mais de três meses, dor ao ejacular, ardência urinária intermitente e sintomas que melhoram e pioram em ciclos. É comum o paciente já ter passado por vários tratamentos sem resposta completa — o que gera frustração e ansiedade.


Prostatite e PSA elevado: qual a relação?

O PSA é uma proteína produzida pela próstata, e qualquer processo que "agrida" a glândula pode elevar seus níveis no sangue — inflamação e infecção estão entre as causas mais frequentes. Na prostatite aguda, o PSA pode subir de forma expressiva e depois voltar ao normal com o tratamento.


Por isso, dois cuidados são importantes. Primeiro: não dosar o PSA durante um quadro de prostatite aguda — o resultado estará elevado e não terá valor para o rastreamento do câncer. Segundo: se o PSA foi colhido e veio alterado na vigência de uma inflamação, ele deve ser repetido algumas semanas após o fim do tratamento, antes de qualquer decisão sobre biópsia.


O outro lado da moeda também vale: um PSA que permanece elevado depois que a inflamação foi tratada não deve ser atribuído indefinidamente à prostatite. Nesse cenário, a investigação segue o caminho habitual, que pode incluir ressonância magnética da próstata e, se necessário, biópsia.


Como o diagnóstico é feito

O diagnóstico começa com a conversa e o exame físico, incluindo o toque retal — na prostatite aguda, a próstata costuma estar dolorosa e amolecida. Exames de urina e urocultura ajudam a identificar a bactéria envolvida. Em casos selecionados, podem ser úteis exames de imagem e a avaliação do esvaziamento da bexiga.


Um detalhe importante: na suspeita de prostatite aguda, a biópsia de próstata e a massagem prostática vigorosa devem ser evitadas, pelo risco de disseminar a infecção.


Tratamento: cada tipo de prostatite pede uma estratégia

Prostatite bacteriana aguda: o tratamento é feito com antibióticos, geralmente por 2 a 4 semanas, mesmo que os sintomas melhorem antes — interromper cedo favorece a forma crônica. Casos com febre alta, vômitos ou retenção urinária podem exigir internação para antibiótico venoso.


Prostatite bacteriana crônica: exige cursos mais prolongados de antibiótico, em geral de 4 a 6 semanas, com escolha guiada pela cultura.


Síndrome da dor pélvica crônica: como não há bactéria identificada, repetir antibióticos indefinidamente não é recomendado. O tratamento é multimodal e individualizado: relaxantes da musculatura prostática (alfabloqueadores), anti-inflamatórios, fisioterapia do assoalho pélvico, manejo do estresse e da dor. A melhora costuma ser gradual.


Quando procurar o urologista

Febre associada a dor ao urinar é sinal de alerta e pede avaliação imediata. Dor pélvica ou perineal que persiste por semanas, dor ao ejacular, infecções urinárias de repetição e PSA alterado também são motivos para agendar uma consulta — inclusive para diferenciar a prostatite de outras condições da próstata, como o crescimento benigno (HPB).


Perguntas Frequentes sobre Prostatite

Prostatite pode virar câncer de próstata?

Não há comprovação de que a prostatite cause câncer de próstata. O que ela faz é elevar temporariamente o PSA, o que pode confundir o rastreamento. Por isso, o PSA deve ser reavaliado após o tratamento — e, se permanecer elevado, a investigação segue normalmente.

Prostatite tem cura?

A forma bacteriana aguda tem cura na grande maioria dos casos com o antibiótico adequado. A bacteriana crônica pode exigir tratamentos mais longos. Na síndrome da dor pélvica crônica, o objetivo é o controle dos sintomas com abordagem multimodal — muitos pacientes ficam livres de queixas, mas recaídas podem ocorrer.

Posso dosar o PSA se estou com prostatite?

Não é recomendado. A inflamação eleva o PSA e o resultado não servirá para o rastreamento do câncer. O ideal é aguardar algumas semanas após o fim do tratamento — em geral de 4 a 8 semanas — para repetir o exame com o valor já estabilizado.

Prostatite é uma infecção sexualmente transmissível?

Na maioria dos casos, não. As bactérias mais comuns vêm do próprio trato urinário. Em homens jovens sexualmente ativos, agentes de infecções sexualmente transmissíveis podem ocasionalmente estar envolvidos, e o urologista avalia essa possibilidade caso a caso.

Prostatite afeta a ereção ou a fertilidade?

A prostatite pode causar dor à ejaculação e desconforto que atrapalham temporariamente a vida sexual, mas não costuma provocar disfunção erétil permanente. Os parâmetros do sêmen podem se alterar durante a inflamação e tendem a melhorar após o tratamento.

Qual a diferença entre prostatite e próstata aumentada (HPB)?

São condições diferentes. A prostatite é uma inflamação, pode ocorrer em qualquer idade e frequentemente causa dor. A HPB é o crescimento benigno da próstata, típico após os 50 anos, com sintomas urinários progressivos e geralmente sem dor. Ambas podem elevar o PSA.


Referências

European Association of Urology (EAU). EAU Guidelines on Urological Infections. Disponível em: uroweb.org/guidelines

European Association of Urology (EAU). EAU Guidelines on Chronic Pelvic Pain. Disponível em: uroweb.org/guidelines

Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Portal da Urologia. Disponível em: portaldaurologia.org.br


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Dr. Rafael Viterbo

Urologista | Uro-oncologia


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