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HPV no homem: verrugas genitais, tratamento e prevenção

Atualizado: há 12 horas

Descobrir uma verruga na região genital costuma vir acompanhado de silêncio: vergonha de perguntar, medo do que pode ser e muita informação desencontrada. Vale começar pelo essencial — o HPV é a infecção sexualmente transmissível mais comum do mundo, e a grande maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com ele em algum momento da vida.

Na maior parte das vezes, o próprio organismo elimina o vírus sem deixar rastro. Mas, quando surgem verrugas — ou quando o tipo de vírus é de alto risco —, é hora de procurar avaliação. Este guia reúne o essencial para o homem: como reconhecer as lesões, o que funciona para tratá-las, o que o HPV tem a ver com câncer e como a vacina entra nessa história.

O que é o HPV e como se pega

HPV é a sigla do papilomavírus humano — uma família com mais de 200 tipos, dos quais cerca de 40 infectam a região genital. A transmissão acontece pelo contato pele a pele durante a relação sexual — vaginal, anal ou oral —, e não depende de penetração nem de ejaculação. Expliquei os mecanismos de transmissão em detalhe em HPV: o que é, como se transmite e sua relação com o câncer.

Na maioria dos casos a infecção é transitória: o sistema imune elimina o vírus ao longo de um a dois anos, geralmente sem qualquer sintoma — muitos homens têm e transmitem o HPV sem saber. Um detalhe importante: o vírus pode ficar “adormecido” por meses ou anos antes de uma verruga aparecer. Por isso, uma lesão nova não indica, necessariamente, um contato recente — nem é prova de infidelidade.

Verrugas genitais: como reconhecer

As verrugas genitais são causadas, em cerca de 90% dos casos, pelos tipos 6 e 11 — tipos de baixo risco, que não são os associados ao câncer. Costumam ser lesões elevadas, de superfície irregular (o aspecto clássico é comparado a uma pequena couve-flor), únicas ou múltiplas, geralmente indolores. Podem aparecer no pênis, no escroto, na virilha, no púbis e na região perianal.

Nem todo “caroço” na região genital é HPV. As pápulas peroladas do pênis e as glândulas sebáceas visíveis, por exemplo, são variações normais da anatomia e não têm relação com o vírus — confusão frequente que gera muita ansiedade desnecessária. O diagnóstico das verrugas é clínico, feito no exame físico; a biópsia fica reservada para lesões atípicas, resistentes ao tratamento ou com aspecto suspeito.

HPV e câncer no homem: qual é o risco real

Os tipos de alto risco — principalmente o 16 e o 18 — estão associados a cânceres de pênis, ânus e orofaringe no homem. É importante colocar isso em perspectiva: o câncer é um desfecho raro da infecção, que na imensa maioria das vezes se resolve sozinha. Mas o Brasil está entre os países com maior incidência de câncer de pênis do mundo, e fatores como fimose, má higiene e tabagismo somam risco ao HPV.

O recado prático: toda lesão genital que não cicatriza, sangra, endurece ou muda de aspecto merece avaliação — e, quando indicado, biópsia. Diagnóstico precoce, nesse território, muda tudo.

Tratamento: como remover as verrugas

Um esclarecimento honesto antes das opções: os tratamentos removem as lesões visíveis, mas nenhum deles elimina o vírus do organismo — quem faz isso é o sistema imune, com o tempo. As principais alternativas são:

  • Ácido tricloroacético (ATA). Aplicado pelo médico em consultório, em sessões semanais. Cauteriza quimicamente as lesões e é seguro inclusive em áreas sensíveis.

  • Imiquimode em creme. Usado em casa, estimula a resposta imune local contra o vírus. Exige disciplina de aplicação por algumas semanas.

  • Podofilotoxina. Solução ou creme de uso domiciliar que destrói o tecido da verruga, em ciclos orientados pelo médico.

  • Crioterapia. Congelamento das lesões com nitrogênio líquido, em consultório.

  • Eletrocauterização ou remoção cirúrgica. Remove as lesões de imediato, com anestesia local — opção preferida para verrugas maiores, numerosas ou resistentes aos cremes. Contei como é o procedimento em verrugas genitais (HPV): tratamento com cauterização no consultório — e os detalhes práticos estão na página de cauterização de lesões de HPV.

A recidiva nos primeiros meses é comum com qualquer técnica — o vírus pode permanecer na pele ao redor da lesão tratada. Isso não significa que o tratamento falhou; significa que o acompanhamento faz parte dele.

E a parceria? E a camisinha?

A conversa com a parceira ou o parceiro é parte do tratamento — sem culpa e sem acusações, já que o vírus pode estar presente há muito tempo. Quem tem lesões visíveis deve buscar avaliação; mulheres devem manter o rastreamento ginecológico de rotina em dia. A camisinha reduz bastante a transmissão e deve ser usada — mas não elimina o risco por completo, porque o HPV se transmite pelo contato com áreas de pele que o preservativo não cobre.

Vacina: a melhor forma de prevenção

A vacina contra o HPV protege contra os principais tipos causadores de verrugas e de câncer, e é mais eficaz quando aplicada antes do início da vida sexual. No Brasil, o SUS oferece a vacina em dose única para meninas e meninos de 9 a 14 anos, além de esquemas específicos para grupos especiais, como pessoas imunocomprometidas. Na rede privada, a vacina está aprovada para uso até os 45 anos.

Adultos sexualmente ativos ainda podem se beneficiar: mesmo quem já teve contato com algum tipo de HPV pode ser protegido contra os tipos que ainda não adquiriu. A vacina não trata lesões existentes — ela previne infecções futuras. Os esquemas, indicações e dúvidas comuns estão no guia vacina contra o HPV: quem deve tomar e como funciona.

Perguntas Frequentes

HPV no homem tem cura?

Na maioria dos casos o próprio organismo elimina o vírus em um a dois anos. Os tratamentos removem as lesões; o acompanhamento garante que novas lesões sejam tratadas cedo, até o quadro se resolver.

Tirei as verrugas. Ainda posso transmitir?

Sim, é possível — o vírus pode permanecer na pele por um período mesmo sem lesões visíveis, embora a transmissibilidade diminua. Camisinha e acompanhamento continuam valendo.

Existe exame de HPV para homem?

Não há exame de rastreamento de rotina validado para homens sem lesões — diferentemente do que ocorre com as mulheres. O diagnóstico é clínico, no exame físico, com biópsia reservada aos casos de dúvida.

Quem tomou a vacina ainda precisa usar camisinha?

Sim. A vacina protege contra os principais tipos de HPV, mas não contra todos — e não protege contra as demais infecções sexualmente transmissíveis.

Referências

  • Ministério da Saúde — Programa Nacional de Imunizações. Vacinação contra o HPV (esquema de dose única, 9 a 14 anos, e grupos especiais).

  • Instituto Nacional de Câncer (INCA). HPV e câncer — perguntas frequentes.

  • Centers for Disease Control and Prevention (CDC). Genital HPV Infection — Fact Sheet.

  • Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Portal da Urologia — HPV no homem.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.

Dr. Rafael Viterbo — urologista e uro-oncologista, Rio de Janeiro/RJ. Av. Rio Branco 185, sala 428 — Centro.

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