Cirurgia da próstata aumentada: quando operar e quais são as técnicas
- Dr. Rafael Viterbo

- há 2 dias
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Atualizado: há 12 horas
“Vou ter que operar a próstata?” — essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório depois do diagnóstico de hiperplasia prostática benigna (HPB), o crescimento da próstata que acompanha o envelhecimento. Antes de tudo: a HPB não é câncer nem vira câncer. E a resposta curta é: na maioria das vezes, não — a cirurgia tem hora certa e indicações bem definidas.
Se você ainda está na fase de entender o que é a próstata aumentada e quais sintomas ela causa, comece por próstata aumentada (HPB): sintomas, quando tratar e as opções de tratamento. Aqui o foco é a decisão: até onde os remédios levam, quando a cirurgia entra em cena e o que esperar de cada técnica.
O que é a hiperplasia prostática benigna
A próstata envolve a primeira porção da uretra, o canal por onde a urina sai da bexiga. Com o envelhecimento, a região central da glândula cresce — um processo benigno, ligado à ação dos hormônios masculinos ao longo da vida. Quando esse crescimento comprime a uretra, a bexiga passa a trabalhar contra uma resistência maior, e é daí que vêm os sintomas.
É quase uma questão de tempo: alterações de HPB estão presentes no tecido prostático de cerca de metade dos homens aos 60 anos e da grande maioria após os 80. Só uma parte deles, porém, tem sintomas que justificam tratamento. Os mais comuns são:
Jato urinário fraco, lento ou que interrompe no meio
Sensação de que a bexiga não esvaziou por completo
Vontade de urinar muitas vezes durante o dia
Urgência — dificuldade de segurar quando a vontade vem
Acordar à noite para urinar (noctúria)
Demora ou esforço para iniciar a micção
Um detalhe importante: a intensidade dos sintomas não é proporcional ao tamanho da próstata. Próstatas grandes podem incomodar pouco, e próstatas pouco aumentadas podem obstruir bastante. Por isso o tratamento é guiado pelos sintomas e pelo risco de complicações — não pelo número de gramas no ultrassom.
Como é feita a avaliação
A consulta começa com a história e um questionário de sintomas (o IPSS), que ajuda a medir o incômodo e a acompanhar a resposta ao tratamento. Completam a avaliação o exame físico com toque retal, o PSA, o exame de urina e o ultrassom com medida do resíduo que fica na bexiga após urinar. Em casos selecionados — quando há dúvida se o problema é a próstata que obstrui ou a bexiga que enfraqueceu — o estudo urodinâmico esclarece a situação antes de qualquer decisão cirúrgica.
Essa avaliação também serve para excluir outras causas dos mesmos sintomas, como estreitamento da uretra, bexiga hiperativa e infecção — e para manter o rastreamento do câncer de próstata em dia, já que as duas condições podem coexistir na mesma glândula. Expliquei as diferenças entre elas em próstata aumentada é câncer?.
Quando dá para só observar
Sintomas leves, que incomodam pouco e sem sinal de complicação, permitem uma conduta expectante — com medidas que muitas vezes já melhoram o quadro:
Reduzir líquidos nas 2 a 3 horas antes de dormir
Moderar cafeína e álcool, que irritam a bexiga e aumentam a produção de urina
Revisar horários de medicamentos, especialmente diuréticos usados à noite
Tratar a constipação intestinal, que piora os sintomas urinários
Manter atividade física e controlar o peso
Observar não é abandonar: o acompanhamento periódico verifica se os sintomas estão estáveis e se não surgiram sinais de que a bexiga esteja sofrendo com a obstrução.
Até onde os medicamentos levam
Quando os sintomas são moderados ou já atrapalham a rotina, os medicamentos são o primeiro passo — e resolvem bem a maioria dos casos:
Alfabloqueadores (tansulosina, doxazosina). Relaxam a musculatura da próstata e do colo da bexiga, facilitando a passagem da urina. A melhora costuma aparecer em poucos dias a semanas. Não reduzem o tamanho da próstata. Efeitos possíveis: tontura, queda de pressão e alterações da ejaculação.
Inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida). Reduzem gradualmente o volume da glândula — fazem sentido em próstatas maiores. O efeito pleno leva cerca de 6 meses, e o uso contínuo diminui o risco de retenção urinária e de cirurgia no futuro. Atenção: essas medicações reduzem o PSA aproximadamente à metade, o que precisa ser considerado na interpretação do exame. Uma parcela dos pacientes nota efeitos na esfera sexual.
Combinação das duas classes. Estratégia comum em próstatas volumosas com sintomas mais intensos.
Tadalafila em dose baixa diária. Opção reconhecida para os sintomas urinários, especialmente interessante quando há disfunção erétil associada.
E os fitoterápicos? A evidência científica é inconsistente — alguns pacientes relatam alívio, mas os estudos de melhor qualidade não demonstram benefício consistente sobre placebo. Vale conversar antes de investir neles.
Quando a cirurgia entra em cena
Existem situações em que a cirurgia deixa de ser uma opção e passa a ser a indicação — porque a obstrução já está causando complicações:
Retenção urinária — episódios de bexiga que não esvazia, com necessidade de sonda
Infecções urinárias de repetição causadas pelo esvaziamento incompleto
Cálculos (pedras) que se formam dentro da bexiga
Sangramento urinário recorrente de origem prostática
Dilatação dos rins ou comprometimento da função renal pela obstrução
Fora dessas situações, a decisão é compartilhada: sintomas que não melhoram com a medicação, efeitos colaterais intoleráveis ou a preferência por não depender de remédio contínuo são motivos legítimos para discutir a cirurgia.
Quais são as cirurgias para HPB
Todas as técnicas modernas têm o mesmo objetivo: desobstruir o canal removendo ou reduzindo a parte interna da próstata que cresceu. A escolha depende principalmente do tamanho da glândula, das condições clínicas e do uso de anticoagulantes:
RTU de próstata (ressecção endoscópica). O padrão consagrado há décadas: por dentro do canal da urina, sem cortes, raspa-se o tecido que obstrui. Indicada para próstatas de volume pequeno a moderado.
Enucleação com laser (HoLEP e técnicas semelhantes). Descola e remove todo o miolo que cresceu, também por via endoscópica. Sangra menos, permite tratar próstatas grandes sem corte e tem resultados muito duradouros.
Vaporização a laser. Vaporiza o tecido obstrutivo com mínimo sangramento — útil em pacientes que não podem suspender anticoagulantes.
Prostatectomia simples (aberta, laparoscópica ou robótica). Reservada para próstatas muito volumosas. Apesar do nome parecido, é diferente da cirurgia radical feita para câncer.
Embolização das artérias prostáticas. Procedimento por cateterismo que reduz o fluxo de sangue para a próstata. É opção em casos selecionados, mas a melhora costuma ser menor e menos duradoura que a das cirurgias — a indicação exige critério.
O efeito colateral mais comum das cirurgias de HPB é a ejaculação retrógrada — o sêmen passa a ir para a bexiga e sai depois na urina, sem dor e sem risco. A ereção não costuma ser afetada pelas técnicas endoscópicas, e a incontinência urinária é rara nesse tipo de cirurgia.
Operar a HPB não é retirar a próstata inteira
Uma confusão frequente: a cirurgia da próstata aumentada remove apenas a porção interna que obstrui o canal. A cápsula e a zona periférica da glândula — justamente onde a maioria dos cânceres se origina — permanecem no lugar. Por isso, quem operou de HPB continua precisando do acompanhamento e do rastreamento do câncer de próstata conforme a idade e o risco.
Perguntas Frequentes
Cirurgia de próstata aumentada causa impotência?
Nas técnicas endoscópicas (RTU, laser), a disfunção erétil não é uma consequência esperada do procedimento. A alteração mais comum é a ejaculação retrógrada, que não interfere no prazer nem na ereção — mas reduz a fertilidade, o que deve ser conversado com quem ainda deseja ter filhos.
Vou precisar tomar remédio para o resto da vida?
Enquanto houver sintomas e benefício, a medicação é mantida. Alguns pacientes conseguem reduzir ou suspender após mudanças de hábito; outros, com o tempo, deixam de responder — e é aí que a cirurgia entra na conversa.
Depois de operar, ainda preciso fazer PSA e ir ao urologista?
Sim. A cirurgia da HPB trata a obstrução, mas não elimina a parte da próstata onde o câncer costuma surgir. O acompanhamento continua o mesmo.
Próstata aumentada vira câncer?
Não. HPB e câncer de próstata são processos diferentes, que podem coexistir na mesma glândula, mas um não se transforma no outro. O aumento benigno não aumenta o risco de câncer — e é justamente por poderem coexistir que o rastreamento não deve ser abandonado.
Referências
European Association of Urology (EAU). Guidelines on the Management of Non-neurogenic Male Lower Urinary Tract Symptoms (LUTS), incl. Benign Prostatic Obstruction. Edição 2025.
American Urological Association (AUA). Management of Lower Urinary Tract Symptoms Attributed to Benign Prostatic Hyperplasia: AUA Guideline (2021, atualizada em 2023).
Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Portal da Urologia — Hiperplasia Prostática Benigna.
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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.
Dr. Rafael Viterbo — urologista e uro-oncologista, Rio de Janeiro/RJ. Av. Rio Branco 185, sala 428 — Centro.



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