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Cirurgia da próstata aumentada: quando operar e quais são as técnicas

Atualizado: há 12 horas

“Vou ter que operar a próstata?” — essa é uma das perguntas mais frequentes no consultório depois do diagnóstico de hiperplasia prostática benigna (HPB), o crescimento da próstata que acompanha o envelhecimento. Antes de tudo: a HPB não é câncer nem vira câncer. E a resposta curta é: na maioria das vezes, não — a cirurgia tem hora certa e indicações bem definidas.

Se você ainda está na fase de entender o que é a próstata aumentada e quais sintomas ela causa, comece por próstata aumentada (HPB): sintomas, quando tratar e as opções de tratamento. Aqui o foco é a decisão: até onde os remédios levam, quando a cirurgia entra em cena e o que esperar de cada técnica.

O que é a hiperplasia prostática benigna

A próstata envolve a primeira porção da uretra, o canal por onde a urina sai da bexiga. Com o envelhecimento, a região central da glândula cresce — um processo benigno, ligado à ação dos hormônios masculinos ao longo da vida. Quando esse crescimento comprime a uretra, a bexiga passa a trabalhar contra uma resistência maior, e é daí que vêm os sintomas.

É quase uma questão de tempo: alterações de HPB estão presentes no tecido prostático de cerca de metade dos homens aos 60 anos e da grande maioria após os 80. Só uma parte deles, porém, tem sintomas que justificam tratamento. Os mais comuns são:

  • Jato urinário fraco, lento ou que interrompe no meio

  • Sensação de que a bexiga não esvaziou por completo

  • Vontade de urinar muitas vezes durante o dia

  • Urgência — dificuldade de segurar quando a vontade vem

  • Acordar à noite para urinar (noctúria)

  • Demora ou esforço para iniciar a micção

Um detalhe importante: a intensidade dos sintomas não é proporcional ao tamanho da próstata. Próstatas grandes podem incomodar pouco, e próstatas pouco aumentadas podem obstruir bastante. Por isso o tratamento é guiado pelos sintomas e pelo risco de complicações — não pelo número de gramas no ultrassom.

Como é feita a avaliação

A consulta começa com a história e um questionário de sintomas (o IPSS), que ajuda a medir o incômodo e a acompanhar a resposta ao tratamento. Completam a avaliação o exame físico com toque retal, o PSA, o exame de urina e o ultrassom com medida do resíduo que fica na bexiga após urinar. Em casos selecionados — quando há dúvida se o problema é a próstata que obstrui ou a bexiga que enfraqueceu — o estudo urodinâmico esclarece a situação antes de qualquer decisão cirúrgica.

Essa avaliação também serve para excluir outras causas dos mesmos sintomas, como estreitamento da uretra, bexiga hiperativa e infecção — e para manter o rastreamento do câncer de próstata em dia, já que as duas condições podem coexistir na mesma glândula. Expliquei as diferenças entre elas em próstata aumentada é câncer?.

Quando dá para só observar

Sintomas leves, que incomodam pouco e sem sinal de complicação, permitem uma conduta expectante — com medidas que muitas vezes já melhoram o quadro:

  • Reduzir líquidos nas 2 a 3 horas antes de dormir

  • Moderar cafeína e álcool, que irritam a bexiga e aumentam a produção de urina

  • Revisar horários de medicamentos, especialmente diuréticos usados à noite

  • Tratar a constipação intestinal, que piora os sintomas urinários

  • Manter atividade física e controlar o peso

Observar não é abandonar: o acompanhamento periódico verifica se os sintomas estão estáveis e se não surgiram sinais de que a bexiga esteja sofrendo com a obstrução.

Até onde os medicamentos levam

Quando os sintomas são moderados ou já atrapalham a rotina, os medicamentos são o primeiro passo — e resolvem bem a maioria dos casos:

  • Alfabloqueadores (tansulosina, doxazosina). Relaxam a musculatura da próstata e do colo da bexiga, facilitando a passagem da urina. A melhora costuma aparecer em poucos dias a semanas. Não reduzem o tamanho da próstata. Efeitos possíveis: tontura, queda de pressão e alterações da ejaculação.

  • Inibidores da 5-alfa-redutase (finasterida, dutasterida). Reduzem gradualmente o volume da glândula — fazem sentido em próstatas maiores. O efeito pleno leva cerca de 6 meses, e o uso contínuo diminui o risco de retenção urinária e de cirurgia no futuro. Atenção: essas medicações reduzem o PSA aproximadamente à metade, o que precisa ser considerado na interpretação do exame. Uma parcela dos pacientes nota efeitos na esfera sexual.

  • Combinação das duas classes. Estratégia comum em próstatas volumosas com sintomas mais intensos.

  • Tadalafila em dose baixa diária. Opção reconhecida para os sintomas urinários, especialmente interessante quando há disfunção erétil associada.

E os fitoterápicos? A evidência científica é inconsistente — alguns pacientes relatam alívio, mas os estudos de melhor qualidade não demonstram benefício consistente sobre placebo. Vale conversar antes de investir neles.

Quando a cirurgia entra em cena

Existem situações em que a cirurgia deixa de ser uma opção e passa a ser a indicação — porque a obstrução já está causando complicações:

  • Retenção urinária — episódios de bexiga que não esvazia, com necessidade de sonda

  • Infecções urinárias de repetição causadas pelo esvaziamento incompleto

  • Cálculos (pedras) que se formam dentro da bexiga

  • Sangramento urinário recorrente de origem prostática

  • Dilatação dos rins ou comprometimento da função renal pela obstrução

Fora dessas situações, a decisão é compartilhada: sintomas que não melhoram com a medicação, efeitos colaterais intoleráveis ou a preferência por não depender de remédio contínuo são motivos legítimos para discutir a cirurgia.

Quais são as cirurgias para HPB

Todas as técnicas modernas têm o mesmo objetivo: desobstruir o canal removendo ou reduzindo a parte interna da próstata que cresceu. A escolha depende principalmente do tamanho da glândula, das condições clínicas e do uso de anticoagulantes:

  • RTU de próstata (ressecção endoscópica). O padrão consagrado há décadas: por dentro do canal da urina, sem cortes, raspa-se o tecido que obstrui. Indicada para próstatas de volume pequeno a moderado.

  • Enucleação com laser (HoLEP e técnicas semelhantes). Descola e remove todo o miolo que cresceu, também por via endoscópica. Sangra menos, permite tratar próstatas grandes sem corte e tem resultados muito duradouros.

  • Vaporização a laser. Vaporiza o tecido obstrutivo com mínimo sangramento — útil em pacientes que não podem suspender anticoagulantes.

  • Prostatectomia simples (aberta, laparoscópica ou robótica). Reservada para próstatas muito volumosas. Apesar do nome parecido, é diferente da cirurgia radical feita para câncer.

  • Embolização das artérias prostáticas. Procedimento por cateterismo que reduz o fluxo de sangue para a próstata. É opção em casos selecionados, mas a melhora costuma ser menor e menos duradoura que a das cirurgias — a indicação exige critério.

O efeito colateral mais comum das cirurgias de HPB é a ejaculação retrógrada — o sêmen passa a ir para a bexiga e sai depois na urina, sem dor e sem risco. A ereção não costuma ser afetada pelas técnicas endoscópicas, e a incontinência urinária é rara nesse tipo de cirurgia.

Operar a HPB não é retirar a próstata inteira

Uma confusão frequente: a cirurgia da próstata aumentada remove apenas a porção interna que obstrui o canal. A cápsula e a zona periférica da glândula — justamente onde a maioria dos cânceres se origina — permanecem no lugar. Por isso, quem operou de HPB continua precisando do acompanhamento e do rastreamento do câncer de próstata conforme a idade e o risco.

Perguntas Frequentes

Cirurgia de próstata aumentada causa impotência?

Nas técnicas endoscópicas (RTU, laser), a disfunção erétil não é uma consequência esperada do procedimento. A alteração mais comum é a ejaculação retrógrada, que não interfere no prazer nem na ereção — mas reduz a fertilidade, o que deve ser conversado com quem ainda deseja ter filhos.

Vou precisar tomar remédio para o resto da vida?

Enquanto houver sintomas e benefício, a medicação é mantida. Alguns pacientes conseguem reduzir ou suspender após mudanças de hábito; outros, com o tempo, deixam de responder — e é aí que a cirurgia entra na conversa.

Depois de operar, ainda preciso fazer PSA e ir ao urologista?

Sim. A cirurgia da HPB trata a obstrução, mas não elimina a parte da próstata onde o câncer costuma surgir. O acompanhamento continua o mesmo.

Próstata aumentada vira câncer?

Não. HPB e câncer de próstata são processos diferentes, que podem coexistir na mesma glândula, mas um não se transforma no outro. O aumento benigno não aumenta o risco de câncer — e é justamente por poderem coexistir que o rastreamento não deve ser abandonado.

Referências

  • European Association of Urology (EAU). Guidelines on the Management of Non-neurogenic Male Lower Urinary Tract Symptoms (LUTS), incl. Benign Prostatic Obstruction. Edição 2025.

  • American Urological Association (AUA). Management of Lower Urinary Tract Symptoms Attributed to Benign Prostatic Hyperplasia: AUA Guideline (2021, atualizada em 2023).

  • Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Portal da Urologia — Hiperplasia Prostática Benigna.

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Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui a consulta médica.

Dr. Rafael Viterbo — urologista e uro-oncologista, Rio de Janeiro/RJ. Av. Rio Branco 185, sala 428 — Centro.

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