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Biópsia da próstata: transretal ou transperineal?

Atualizado: 15 de abr.

A biópsia da próstata é o único exame capaz de confirmar com certeza o diagnóstico de câncer de próstata. Quando o PSA está elevado, o toque retal identifica alguma irregularidade ou a ressonância magnética mostra áreas suspeitas, a biópsia é o próximo passo. Mas existem diferentes técnicas disponíveis — e entender cada uma ajuda a tomar uma decisão mais informada.

O que é a biópsia da próstata?

A biópsia consiste na retirada de pequenos fragmentos de tecido prostático para análise laboratorial. Esses fragmentos são examinados por um patologista, que verifica a presença ou ausência de células cancerosas e, quando presentes, determina o grau de agressividade do tumor — expresso pelo Escore de Gleason ou pelo Grade Group (1 a 5).

O procedimento é realizado com orientação de ultrassom, o que permite direcionar as agulhas com precisão para as diferentes regiões da próstata.

Quando a biópsia da próstata é indicada?

A biópsia é recomendada principalmente quando o PSA está elevado para a faixa etária do paciente ou apresenta aumento progressivo ao longo do tempo; quando o toque retal identifica nódulos ou endurecimento suspeito; quando a ressonância magnética multiparamétrica da próstata mostra áreas classificadas como PIRADS 3, 4 ou 5; ou quando há necessidade de confirmar um diagnóstico ou monitorar um tratamento em andamento.

Biópsia transretal

Na biópsia transretal, a agulha é inserida através da parede do reto para alcançar a próstata. É a técnica mais tradicional e amplamente disponível no Brasil, com duração média de 15 a 20 minutos e possibilidade de realização sob anestesia local com sedação leve.

A principal limitação é o risco de infecção: como a agulha atravessa a flora bacteriana do reto, pode ocorrer prostatite, infecção urinária e, raramente, sepse. A crescente resistência bacteriana aos antibióticos torna a profilaxia mais desafiadora. Além disso, a via transretal oferece acesso limitado à região anterior da próstata.

Biópsia transperineal

Na biópsia transperineal, as agulhas são inseridas pela pele do períneo — a região entre o escroto e o ânus — sem atravessar o reto. Essa via tem ganhado preferência crescente em centros especializados ao redor do mundo e também no Brasil.

O risco de infecção é significativamente menor, pois não há contato com a flora intestinal. A via transperineal também oferece melhor acesso à região anterior da próstata, onde tumores podem ser mais difíceis de detectar pela via transretal. A desvantagem é a necessidade de anestesia (raquidiana ou geral) e a menor disponibilidade em alguns serviços.

Biópsia guiada por ressonância magnética (fusão de imagens)

A ressonância magnética multiparamétrica (mpRM) da próstata transformou o diagnóstico do câncer de próstata. Quando realizada antes da biópsia, ela identifica regiões suspeitas com alta precisão e permite direcionar as agulhas exatamente para esses locais.

A biópsia de fusão combina as imagens da ressonância magnética com o ultrassom em tempo real, aumentando a taxa de detecção de tumores clinicamente significativos e reduzindo o diagnóstico de tumores de baixo risco que não necessitariam tratamento imediato. Essa abordagem pode ser realizada tanto pela via transretal quanto pela transperineal, embora a transperineal ofeça vantagens adicionais de acesso e segurança.



Qual é a técnica mais adequada para você?

A escolha entre biópsia transretal e transperineal — e entre biópsia sistemática e guiada por fusão — depende de múltiplos fatores: histórico clínico, resultado da ressonância magnética, características individuais da próstata e risco de infecção. Na minha prática, privilegio a biópsia transperineal com fusão de imagens de ressonância magnética, especialmente em pacientes com biópsia prévia negativa, suspeita de tumor anterior ou alto risco de infecção.

Como se preparar para a biópsia?

A preparação envolve a suspensão de anticoagulantes e antiagregantes plaquetários conforme orientação médica, antibioticofilaxia prescrita previamente (principalmente para a biópsia transretal), jejum de 4 a 6 horas quando há sedação ou anestesia, e realização de exames laboratoriais recentes, incluindo coagulograma.

O que esperar durante e após o procedimento?

O procedimento é realizado em ambiente ambulatorial ou centro cirúrgico, com duração média de 20 a 40 minutos. Após a biópsia, é comum sangramento discreto na urina por alguns dias, sangue no sêmen por algumas semanas e desconforto leve na região do períneo. A maioria dos pacientes retoma as atividades habituais em 24 a 48 horas.

Febre, dificuldade urinária intensa ou sangramento expressivo devem ser avaliados imediatamente por um médico.

Interpretando o resultado da biópsia

O resultado é liberado em 7 a 14 dias e informa se havia células cancerosas nos fragmentos analisados, o Escore de Gleason ou Grade Group do tumor (quando positivo) e em quais regiões da próstata foram encontradas alterações.

Um resultado negativo não exclui completamente a presença de câncer — especialmente quando a ressonância magnética identificou áreas suspeitas. Nesses casos, o seguimento clínico rigoroso é fundamental.

Perguntas frequentes

A biópsia dói? O procedimento é realizado com anestesia, portanto a dor é mínima. Pode haver desconforto leve nos dias seguintes ao exame.

Quantas amostras são coletadas? Em geral, entre 12 e 24 fragmentos, dependendo do volume prostático e da indicação — biópsia sistemática, dirigida por ressonância magnética ou ambas.

Preciso de internação? Na maioria dos casos, não. A biópsia é ambulatorial e o paciente retorna para casa no mesmo dia.

O que acontece se o resultado for positivo? Confirmado o diagnóstico, as opções de tratamento serão discutidas individualmente, variando de vigilância ativa a cirurgia ou radioterapia, de acordo com o estadiamento e as preferências do paciente.



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