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Prostatectomia robótica: internação, sonda e recuperação, e quando voltar ao trabalho

há 6 horas
6 min de leitura

Receber o diagnóstico de câncer de próstata e decidir pela cirurgia traz uma pergunta muito prática: como vai ser a recuperação? Quantos dias no hospital, quanto tempo com a sonda, quando volto a trabalhar e a dirigir? Neste texto, explico o passo a passo da recuperação após a prostatectomia radical robótica, semana a semana, com o que é esperado e o que merece atenção. Os prazos são médios e variam de pessoa para pessoa, por isso a orientação do seu cirurgião sempre vale mais do que qualquer regra geral.

O dia da cirurgia e a internação

A prostatectomia robótica é feita por pequenas incisões de cerca de 1 cm, com o cirurgião comandando os braços do robô a partir de um console. O procedimento costuma levar em torno de 3 horas, podendo ser mais curto ou mais longo conforme a anatomia e a necessidade de retirar linfonodos. Ao acordar, você já é estimulado a sentar e, em poucas horas, a caminhar, o que ajuda a prevenir trombose e a acelerar a volta do funcionamento do intestino.

A maioria dos pacientes recebe alta entre 1 e 2 dias após a cirurgia. Alguns serviços deixam um pequeno dreno por 24 a 48 horas, e dependendo do risco de trombose, o médico pode prescrever injeções de anticoagulante por algumas semanas. Você vai para casa com a sonda vesical, que é normal e esperada.

A sonda vesical: quanto tempo fica e como lidar

Durante a cirurgia, a bexiga é reconectada à uretra. A sonda funciona como um “molde” que mantém a urina drenando enquanto a anastomose cicatriza. Em geral, ela é retirada cerca de 7 dias depois, em consulta, e a decisão pode incluir um exame de contraste para confirmar a cicatrização, de acordo com a conduta do cirurgião.

Enquanto isso, é normal sentir vontade de urinar, espasmos da bexiga e ver a urina rosada. Alguns cuidados ajudam:

  • Mantenha a bolsa coletora sempre abaixo do nível da bexiga e nunca a deixe tracionar a sonda.

  • Beba água em quantidade adequada, salvo outra orientação, para manter a urina clara.

  • Use a bolsa de perna durante o dia e a bolsa maior à noite, se foi orientado.

  • Evite esforço para evacuar: alimentação com fibras e, se necessário, laxativo prescrito.

As primeiras duas semanas em casa

Nos primeiros dias, é comum sentir cansaço, desconforto no abdome e inchaço no baixo ventre ou na bolsa escrotal, que melhoram com o tempo. A caminhada leve, várias vezes ao dia, é recomendada desde o primeiro dia, mas esforço, carga de peso e exercícios abdominais devem esperar. O banho é liberado, e os curativos das pequenas incisões costumam ser simples e impermeáveis ou removidos conforme a orientação.

A alimentação pode ser a habitual, de preferência leve e rica em fibras. O objetivo é evitar a prisão de ventre, porque forçar na evacuação aumenta a pressão sobre a cicatrização.

Quando voltar ao trabalho, dirigir e se exercitar

Não existe um prazo único, mas estas referências costumam orientar a maioria dos pacientes, sempre sujeitas à liberação do seu cirurgião:

  • Trabalho de escritório: geralmente entre 2 e 4 semanas, muitas vezes depois da retirada da sonda.

  • Trabalho com esforço físico: em geral a partir de 4 a 6 semanas ou mais, com retorno gradual.

  • Dirigir: quando a sonda tiver sido retirada, você não estiver usando medicamentos que causem sonolência e conseguir frear com segurança.

  • Carregar peso: evitar por cerca de 4 a 6 semanas, em geral acima de 5 a 10 kg, conforme orientação.

  • Exercícios: a caminhada é liberada desde cedo; musculação, corrida e esportes de impacto são reintroduzidos de forma gradual após a liberação.

  • Viagens longas: converse antes com o seu médico, por causa do risco de trombose.

Continência e função sexual: o que esperar

Depois da retirada da sonda, é esperado perder um pouco de urina ao tossir, rir ou fazer esforço. Isso costuma melhorar de forma progressiva. Em uma série recente de pacientes operados por via robótica em um centro oncológico especializado, 83,1% estavam secos ou usavam no máximo um protetor por dia aos 3 meses de cirurgia. Em outra análise, a proporção de pacientes completamente secos subiu de 11,3% no terceiro dia após a retirada da sonda para 84,0% aos 12 meses, o que mostra como a recuperação é gradual. Os exercícios de fortalecimento do assoalho pélvico, idealmente com orientação de um fisioterapeuta pélvico, ajudam nesse processo.

A função erétil também depende da preservação dos nervos, da idade e da função prévia, e a recuperação pode levar meses, em alguns casos mais de um ano. Quanto antes você conversar sobre reabilitação peniana com o seu urologista, melhor. Vale a pena ler também sobre a perda de urina e a ereção após a cirurgia nos textos indicados no final desta página.

O primeiro PSA e o resultado da patologia

A peça cirúrgica é analisada por um patologista, que informa o grau (ISUP/Gleason), o estágio, as margens cirúrgicas e o acometimento de linfonodos. Esse resultado costuma ficar pronto em cerca de uma a duas semanas e define se serão necessários exames adicionais ou tratamentos complementares. O primeiro PSA de controle é pedido, em geral, entre 6 e 12 semanas após a cirurgia, e o esperado é que ele fique indetectável, já que a próstata foi retirada.

Sinais de alerta: quando ligar ou ir ao pronto-socorro

Procure atendimento sem demora se houver:

  • Febre acima de 38 °C ou calafrios.

  • Sonda que para de drenar, com dor e distensão do baixo ventre, ou que sai do lugar.

  • Urina com sangue vivo em grande quantidade ou com coágulos.

  • Dor, inchaço, calor ou vermelhidão em uma das pernas (possível trombose).

  • Falta de ar, dor no peito ou batimentos muito acelerados (possível embolia pulmonar): procure emergência imediatamente.

  • Vermelhidão, secreção ou dor crescente nas incisões, ou vômitos persistentes.

Perguntas Frequentes

Quanto tempo fico internado após a prostatectomia robótica?

Na maioria dos casos, a internação dura de 1 a 2 dias. A alta acontece quando você já caminha, tolera a alimentação, a dor está controlada com medicação oral e não há sinais de complicação. O prazo pode variar conforme o seu estado de saúde e a rotina do hospital.

A cirurgia robótica dói muito?

A dor costuma ser de leve a moderada e controlada com analgésicos comuns. Como o abdome é inflado com gás durante o procedimento, é frequente sentir desconforto no abdome ou no ombro nos primeiros dias, que melhora sozinho. A sonda pode causar a sensação de vontade de urinar e espasmos da bexiga.

Posso tomar banho com a sonda?

Sim. O banho é liberado, em geral, já a partir da alta, seguindo a orientação sobre os curativos. A bolsa coletora deve ficar sempre abaixo do nível da bexiga, e a sonda deve estar bem fixada na coxa ou no abdome para não tracionar.

Quando posso voltar ao trabalho?

Para atividades de escritório, muitos pacientes retornam entre 2 e 4 semanas após a cirurgia, em geral depois da retirada da sonda. Para trabalhos com esforço físico ou carga de peso, o retorno costuma ser mais tardio, em geral entre 4 e 6 semanas ou mais, sempre conforme a liberação do cirurgião.

Vou ficar com a urina escapando para sempre?

Na maioria dos pacientes, não. A perda de urina é comum logo após a retirada da sonda e tende a melhorar de forma progressiva ao longo dos meses. Em séries de centros especializados, a grande maioria dos pacientes estava seca ou usando no máximo um protetor por dia aos 3 meses, e a melhora pode continuar até cerca de 12 meses. Se a perda persistir, existem tratamentos eficazes.

Referências

  • Sakthivel DK, et al. The Miami Cancer Institute technique: puboprostatic complex preserving dorsal venous complex ligation with cystourethropexy. Urologia. 2026 (PubMed PMID 42755244; DOI 10.1177/03915603261448785).

  • Fan J, et al. Pre- and postoperative membranous urethral length on multiparametric MRI predict stage-specific 0-pad continence recovery after robot-assisted radical prostatectomy. Transl Androl Urol. 2026;15(6):209 (PubMed PMID 42436782; DOI 10.21037/tau-2026-1-0148).

  • European Association of Urology (EAU). Guidelines on Prostate Cancer, edição vigente.

  • American Urological Association (AUA). Clinically Localized Prostate Cancer: AUA/ASTRO/SUO Guideline, edição vigente.

  • Instituto Nacional de Câncer (INCA). Câncer de próstata: informações para pacientes.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica individual. Dr. Rafael Viterbo é urologista com atuação em uro-oncologia e cirurgia robótica, no Centro do Rio de Janeiro (Av. Rio Branco, 185, sala 428). Para agendar uma consulta: (21) 97613-5662.

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