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Incontinência urinária após a cirurgia de próstata: por que acontece e como recuperar

19 de jul.
5 min de leitura

Atualizado: 17 de out.

Ao lado da função sexual, o controle da urina é a outra grande preocupação de quem vai operar a próstata. Perder um pouco de urina ao tossir, rir ou fazer esforço nos primeiros dias após a prostatectomia radical é comum — e, na maioria das vezes, temporário. Entender por que isso acontece, o que fazer para acelerar a recuperação e quando é hora de tratar ajuda a encarar esse período com mais tranquilidade e menos ansiedade.

Por que a cirurgia pode causar perda de urina

A continência urinária masculina depende de dois “sistemas de segurança”: o esfíncter interno, na saída da bexiga (colo vesical), e o esfíncter externo, logo abaixo da próstata. Como a próstata fica exatamente entre esses dois pontos, a sua retirada altera esse equilíbrio: a região do colo da bexiga, que contribui para a contenção, é alterada junto com a retirada da glândula, e passa a caber, em maior parte, ao esfíncter externo a tarefa de segurar a urina. Até que ele se fortaleça e se readapte, pode haver escape — sobretudo aos esforços.

É normal? Quanto tempo dura

Sim: algum grau de perda logo após a retirada da sonda é esperado e faz parte da recuperação. A tendência é de melhora progressiva. A maioria dos homens recupera a continência ao longo do primeiro ano; as taxas variam conforme o cirurgião e a definição usada (nenhum absorvente ou até um por dia). Uma parcela menor mantém perdas mais persistentes, que podem se beneficiar de tratamento específico — e, mesmo nesses casos, há soluções eficazes.

Que tipo de perda é essa?

O padrão mais comum após a cirurgia é a incontinência de esforço: o escape acontece quando a pressão dentro do abdome aumenta — ao tossir, espirrar, rir, levantar peso ou levantar-se da cadeira. Diferente da bexiga hiperativa (aquela vontade súbita e incontrolável de urinar), a incontinência de esforço costuma responder ao fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico.

Fisioterapia do assoalho pélvico e exercícios de Kegel

Esse é o pilar da recuperação. Os exercícios de Kegel consistem em contrair e relaxar, de forma repetida, os músculos que usamos para “segurar o xixi” ou prender um gás — sem contrair a barriga, os glúteos ou as coxas. Feitos com regularidade, fortalecem o esfíncter externo e o suporte da bexiga. As diretrizes consideram o treinamento do assoalho pélvico uma opção a ser oferecida após a cirurgia.

Sempre que possível, vale contar com um fisioterapeuta especializado em saúde pélvica. Com técnicas como o biofeedback (que mostra na tela se você está contraindo o músculo certo) e a eletroestimulação, os resultados podem melhorar. A fisioterapia pélvica é a base do tratamento inicial e ajuda muitos pacientes; a magnitude do benefício varia entre os estudos.

Comece antes da cirurgia

Um detalhe que pode ajudar: aprender e treinar os exercícios de Kegel antes da operação. Chegar à cirurgia já sabendo ativar corretamente a musculatura pode ajudar a recuperar o controle mais cedo. Se a sua cirurgia ainda está sendo planejada, peça essa orientação — é um investimento simples e valioso.

Dicas práticas para o dia a dia

  • Mantenha uma boa hidratação, mas distribua os líquidos ao longo do dia e reduza-os à noite.

  • Vá com calma na cafeína e no álcool: eles irritam a bexiga e pioram a urgência.

  • Evite a prisão de ventre — o intestino cheio pressiona a bexiga; capriche nas fibras.

  • Controle o peso: o excesso de gordura abdominal aumenta a pressão sobre o assoalho pélvico.

  • Use os protetores masculinos sem constrangimento nessa fase; eles dão segurança para você retomar a rotina.

Quando a perda persiste: o que fazer

Se, após cerca de 12 meses de fisioterapia bem feita, a perda ainda incomodar de forma significativa, existem procedimentos com bons resultados em casos selecionados:

  • Sling masculino: uma faixa que dá suporte à uretra, indicada em casos leves a moderados.

  • Esfíncter urinário artificial: considerado o padrão-ouro para perdas moderadas a intensas. É um dispositivo que substitui a função do esfíncter, acionado de forma simples pelo próprio paciente, com boa satisfação na maioria dos pacientes.

A escolha depende da intensidade da perda e das suas características — e é sempre uma decisão conjunta com o seu urologista. A avaliação com o urologista pode ocorrer antes dos 12 meses, se a perda for muito intensa.

Quando procurar ajuda

Perda de urina que não melhora, que piora ou que atrapalha o seu sono, o trabalho e a vida social merece avaliação. Não encare como algo com que você “terá que conviver”: na grande maioria dos casos, é possível recuperar o controle e a qualidade de vida.

Referências

American Urological Association (AUA/GURS/SUFU). Incontinence after Prostate Treatment: Guideline (2019; atualizada em 2024). Disponível em: auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines

European Association of Urology (EAU). EAU Guidelines on Non-neurogenic Male LUTS e Urinary Incontinence. Disponível em: uroweb.org/guidelines

Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Disponível em: portaldaurologia.org.br

Perguntas Frequentes

Todo homem fica incontinente depois da cirurgia de próstata?

Não. Algum escape nos primeiros dias é comum, mas costuma ser temporário. A maioria recupera o controle ao longo de semanas a meses, e apenas uma parcela menor mantém perdas persistentes que exigem tratamento adicional.

Quanto tempo até parar de usar absorvente?

Varia de pessoa para pessoa. A maioria dos homens recupera a continência ao longo do primeiro ano; as taxas variam conforme o cirurgião e a definição usada (nenhum absorvente ou até um por dia). A fisioterapia pélvica pode ajudar a encurtar esse tempo.

Os exercícios de Kegel funcionam mesmo?

Sim. O treinamento do assoalho pélvico é a base do tratamento inicial e ajuda muitos pacientes a recuperar a continência. Feito com orientação de um fisioterapeuta e recursos como o biofeedback, a magnitude do benefício varia entre os estudos.

Devo começar os exercícios antes da cirurgia?

Idealmente, sim. Treinar a musculatura do assoalho pélvico antes da operação pode ajudar a recuperar o controle mais cedo no pós-operatório.

E se a perda não melhorar depois de um ano?

Há soluções eficazes, como o sling masculino (para casos leves a moderados) e o esfíncter urinário artificial (padrão-ouro para perdas moderadas a intensas). A indicação é individualizada conforme a intensidade da perda.

A cirurgia robótica reduz o risco de incontinência?

Técnicas de preservação do esfíncter e do suporte da bexiga, aliadas à experiência do cirurgião, favorecem a recuperação da continência. A abordagem minimamente invasiva pode ajudar na recuperação inicial, mas o cuidado no pós-operatório — especialmente a fisioterapia — é igualmente decisivo.

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Dr. Rafael Viterbo · Urologista · CRM-RJ 521128426 · RQE 56547

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