Prótese testicular após orquiectomia: o que você precisa saber
- Dr. Rafael Viterbo

- 3 de jan.
- 4 min de leitura
Atualizado: 10 de mai.
A orquiectomia radical — remoção cirúrgica do testículo — é o tratamento primário do câncer de testículo e representa um dos procedimentos mais impactantes na autoimagem e qualidade de vida dos pacientes. A prótese testicular surge como uma opção segura e eficaz para restabelecer a aparência anatômica escrotal e contribuir para o bem-estar psicológico após a cirurgia.
O que é a Prótese Testicular?
A prótese testicular é um implante de silicone preenchido com gel ou soro fisiológico, projetado para simular o tamanho, forma e consistência do testículo natural. Diferentemente das próteses funcionais (como as penianas), o implante testicular é exclusivamente estético — ele não interfere na produção hormonal nem na fertilidade, que dependem do testículo contralateral (quando saudável).
Materiais e Tamanhos Disponíveis
As próteses modernas são fabricadas em silicone médico de alta coesividade, aprovadas pelas principais agências regulatórias. O silicone coesivo tem consistência firme similar ao tecido testicular, mantém a forma mesmo em caso de ruptura do invólucro e apresenta excelente biocompatibilidade.
Os implantes são oferecidos em diferentes tamanhos (geralmente pequeno, médio, grande e extra-grande). A escolha é feita em conjunto entre médico e paciente, levando em conta o volume do testículo contralateral e a preferência individual — o objetivo é a simetria escrotal.
Quando é Realizada: Simultânea ou Diferida?
A prótese testicular pode ser implantada em dois momentos:
Simultânea à orquiectomia: o implante é inserido no mesmo ato cirúrgico. É a abordagem preferida quando não há dúvida diagnóstica e a cirurgia é eletiva. Evita uma segunda intervenção e reduz o impacto psicológico imediato da ausência testicular.
Diferida (em um segundo tempo): indicada quando há risco de infecção local (escroto edemaciado, processo inflamatório ativo), quando o paciente ainda não decidiu sobre o implante, ou quando há necessidade de irradiação escrotal (rara). O implante pode ser realizado meses a anos após a orquiectomia.
As diretrizes europeias (EAU 2024) recomendam que todos os pacientes submetidos à orquiectomia sejam informados sobre a possibilidade de implante protético antes da cirurgia, independentemente do momento escolhido.
Como é o Procedimento Cirúrgico?
Quando realizada de forma diferida, a inserção da prótese é um procedimento ambulatorial de baixa complexidade, realizado sob anestesia local com sedação leve ou raquianestesia, com duração de 30 a 60 minutos.
A técnica cirúrgica envolve incisão inguinal ou escrotal (dependendo do caso), dissecção cuidadosa para criar a bolsa escrotal adequada e posicionamento da prótese. O paciente recebe alta no mesmo dia e retorna às atividades normais em 7-10 dias, com restrição de atividade física intensa por 4 semanas.
Benefícios Psicológicos e Satisfação dos Pacientes
Estudos demonstram que a prótese testicular melhora significativamente a autoimagem, a autoestima e a satisfação sexual após a orquiectomia. Uma revisão publicada no European Urology (2018) mostrou que mais de 85% dos pacientes que receberam o implante relataram satisfação com o resultado estético e funcional.
O impacto psicológico da perda de um testículo é frequentemente subestimado. Sintomas de ansiedade, depressão e disfunção sexual podem emergir mesmo quando a função hormonal e a fertilidade são preservadas pelo testículo contralateral. A prótese contribui para a integração corporal e pode facilitar a retomada da vida sexual e das atividades cotidianas.
Complicações e Contraindicações
A prótese testicular é um procedimento seguro, com taxa de complicações baixa. As principais complicações descritas são:
Infecção do implante (~1-2%): requer remoção da prótese e antibioticoterapia
Migração ou rotação da prótese: pode requerer reposicionamento cirúrgico
Extrusão cutânea: rara, mais frequente em escroto irradiado ou com cicatrizes extensas
Insatisfação estética: tamanho inadequado, assimetria ou consistência diferente do esperado
Contraindicações relativas incluem infecção ativa no sítio cirúrgico, escroto com comprometimento vascular grave e pacientes que não compreendem as expectativas realistas sobre o resultado estético.
Perguntas Frequentes sobre Prótese Testicular
A prótese testicular tem alguma função hormonal ou reprodutiva?
Não. A prótese testicular é exclusivamente estética — ela restaura a aparência e simetria escrotal, mas não produz testosterona nem espermatozoides. A função hormonal e a fertilidade dependem inteiramente do testículo contralateral (quando saudável). Em casos de orquiectomia bilateral, a reposição hormonal com testosterona é necessária.
Posso colocar a prótese no mesmo dia da cirurgia para retirar o testículo?
Sim. A implantação simultânea à orquiectomia radical é a abordagem preferida e recomendada pelas diretrizes europeias quando não há contraindicações locais. Ela evita uma segunda operação e reduz o impacto psicológico imediato. O implante diferido — em um segundo tempo — é indicado quando há risco de infecção ou quando o paciente ainda não decidiu sobre o procedimento.
A prótese testicular aparece em exames de imagem?
Sim. A prótese é visível ao ultrassom e à tomografia como uma estrutura hiperecoica ou de densidade aumentada no escroto. Radiologistas experientes reconhecem facilmente o implante, que não interfere na interpretação do exame. Na ressonância magnética, o silicone coesivo pode gerar sinal específico, mas não compromete a qualidade das imagens abdominais ou pélvicas.
A prótese testicular dura para sempre ou precisa ser trocada?
O silicone médico coesivo moderno é muito durável. Na ausência de complicações (infecção, migração, extrusão), a prótese não tem prazo de validade definido e pode permanecer por décadas. Estudos de seguimento de longo prazo não demonstraram necessidade de troca rotineira. A troca só é indicada se houver insatisfação com o tamanho, complicação local ou dano ao implante.
O plano de saúde cobre a prótese testicular após orquiectomia por câncer?
Em geral, sim. A prótese testicular após orquiectomia oncológica está prevista no rol de procedimentos da ANS quando há indicação médica documentada. Recomenda-se solicitar autorização prévia com relatório do urologista descrevendo o diagnóstico, o procedimento cirúrgico realizado e a indicação do implante reconstrutivo.
Qual o tempo de recuperação após a colocação da prótese testicular?
Quando realizada de forma isolada (diferida), a inserção da prótese é um procedimento ambulatorial com alta no mesmo dia. O retorno às atividades leves ocorre em 7-10 dias e às atividades físicas intensas em 4-6 semanas. Nos primeiros dias, é comum desconforto escrotal leve, edema e equimose, que regridem progressivamente.
Dr. Rafael Viterbo
Urologista | Uro-oncologia
Av. Rio Branco, 185 - 428 - Centro, Rio de Janeiro



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