HPV: o que é, como se transmite e sua relação com o câncer
- Dr. Rafael Viterbo

- 23 de jul.
- 4 min de leitura
Poucas siglas causam tanta ansiedade quanto “HPV”. E, muitas vezes, o susto vem mais da desinformação do que do vírus em si. O HPV é extremamente comum, na maioria das vezes é passageiro e, quando causa problemas, tem como ser tratado e prevenido. Entender o básico ajuda a tirar o peso do assunto e a tomar as decisões certas.
O que é o HPV?
HPV é a sigla para papilomavírus humano, uma família com mais de 200 tipos de vírus que infectam a pele e as mucosas — como a região genital, o ânus e a boca. Alguns tipos causam verrugas; outros, com o tempo, podem levar a lesões que evoluem para câncer. A maioria das pessoas sexualmente ativas terá contato com o HPV em algum momento da vida, e, na maior parte dos casos, o próprio organismo elimina o vírus sem que nada aconteça.
Como se transmite?
A transmissão ocorre principalmente pelo contato pele a pele na relação sexual — vaginal, anal ou oral —, com ou sem penetração. O preservativo reduz bastante o risco, mas não o elimina por completo, já que o vírus pode estar em áreas não cobertas. Muitas vezes a pessoa transmite sem saber que tem o vírus, porque a infecção costuma ser silenciosa.
HPV de baixo e de alto risco
Do ponto de vista prático, os tipos de HPV se dividem em dois grupos:
Baixo risco (ex.: tipos 6 e 11): causam as verrugas genitais (condilomas), mas não provocam câncer.
Alto risco (ex.: tipos 16, 18, 31 e 33): não costumam dar verrugas, mas, quando persistem por muito tempo, podem levar a lesões pré-cancerosas e a cânceres do colo do útero, do pênis, do ânus e da orofaringe.
Ou seja: verruga não é câncer, e a maioria dos contatos com o vírus não vira câncer. O problema aparece quando um tipo de alto risco permanece por anos sem ser percebido.
E nos homens?
Existe a ideia equivocada de que HPV é “assunto de mulher”. Não é. No homem, o vírus costuma ser ainda mais silencioso, mas pode causar verrugas no pênis, na bolsa escrotal, na virilha, na região pubiana e ao redor do ânus. Além disso, os tipos de alto risco estão ligados a cânceres de pênis, de ânus e de garganta. E, mesmo sem sintoma nenhum, o homem pode transmitir o vírus para a(o) parceira(o).
Como aparece e como se descobre
Na maioria das vezes, o HPV não dá nenhum sintoma. Quando dá, o sinal mais comum são as verrugas — pequenas lesões, às vezes em grupo, com aspecto de “couve-flor”. O diagnóstico no homem é sobretudo clínico: o urologista examina a região e, em casos selecionados, pode usar a peniscopia (avaliação com lente após aplicar uma solução que realça as lesões). Não há um exame de sangue de rotina para “detectar HPV” no homem.
Dá para prevenir e tratar?
Sim — e essa é a parte mais importante. A vacina contra o HPV é a principal ferramenta de prevenção e protege contra os tipos que mais causam verrugas e câncer. O preservativo ajuda a reduzir a transmissão. E, quando o vírus causa verrugas, há tratamento eficaz feito no consultório. Vale lembrar: tratar as verrugas resolve as lesões, mas não “apaga” o vírus do corpo — por isso prevenção e acompanhamento andam juntos.
Perguntas Frequentes
HPV tem cura?
A maioria das infecções por HPV é transitória e desaparece sozinha, controlada pelo sistema imune, em geral em 1 a 2 anos. Não há um remédio que “elimine o vírus”, mas as lesões que ele causa (como verrugas) têm tratamento, e a vacina previne os tipos mais importantes.
Quem tem HPV vai ter câncer?
Não. A maioria das pessoas entra em contato com o HPV em algum momento e não desenvolve câncer. O câncer é uma consequência rara e tardia, ligada aos tipos de alto risco que persistem por muito tempo — por isso o acompanhamento e a prevenção importam.
O preservativo protege do HPV?
Reduz bastante o risco, mas não elimina, porque o vírus pode estar em áreas da pele não cobertas pela camisinha. Ainda assim, o preservativo continua sendo importante — inclusive contra outras infecções.
Homens também precisam se preocupar com HPV?
Sim. Homens podem ter verrugas e, com os tipos de alto risco, risco de cânceres de pênis, ânus e orofaringe — além de transmitir o vírus, muitas vezes sem sintomas.
Existe exame de sangue para HPV no homem?
Não há um exame de sangue de rotina para rastrear HPV no homem. A avaliação é clínica, e o médico decide se exames adicionais (como a peniscopia) são necessários em casos específicos.
Quando procurar avaliação
Se você notou uma verruga ou lesão na região genital, teve contato com alguém com HPV ou só quer esclarecer dúvidas, vale conversar com um urologista. Você pode agendar uma avaliação pelo WhatsApp (Centro do Rio de Janeiro).
Referências
Instituto Nacional de Câncer (INCA) — HPV e câncer: gov.br/inca
Ministério da Saúde — HPV: gov.br/saude
Sociedade Brasileira de Urologia (SBU): portaldaurologia.org.br
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Dr. Rafael Viterbo — Urologista e uro-oncologista. Atendimento no Centro do Rio de Janeiro (Av. Rio Branco 185, sala 428).
Este conteúdo tem caráter informativo e educativo e não substitui a consulta médica. Procure um urologista para avaliação individual.



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