Ressecção transuretral da bexiga ("Raspagem da bexiga")
- Dr. Rafael Viterbo

- 16 de out. de 2025
- 4 min de leitura
Atualizado: 17 de abr.
A ressecção transuretral da bexiga (RTUb) é o procedimento cirúrgico padrão para o diagnóstico e tratamento inicial do câncer de bexiga. Também conhecida popularmente como "raspagem da bexiga", é uma cirurgia minimamente invasiva realizada sem cortes externos, por via uretral. Neste artigo, o Dr. Rafael Viterbo explica como o procedimento funciona, quando é indicado e o que esperar antes, durante e depois da cirurgia.
O que é a RTUb?
A RTUb consiste na remoção endoscópica de lesões da parede interna da bexiga. O cirurgião introduz um instrumento chamado ressectoscópio pela uretra — sem nenhuma incisão externa — e remove o tecido anormal com eletrocautério. O material coletado é enviado ao laboratório para análise anatomopatológica, que determina o tipo histológico do tumor, o grau de diferenciação celular e a profundidade de invasão na parede vesical.
Para que serve?
A RTUb cumpre dois papéis fundamentais: diagnóstico e tratamento. Como procedimento diagnóstico, permite o estadiamento preciso do tumor — determinando se é superficial (sem invasão muscular) ou se já invadiu a musculatura da bexiga. Como tratamento, pode remover completamente lesões superficiais, sendo potencialmente curativa nos tumores de baixo risco.
Quem precisa fazer uma RTUb?
A RTUb está indicada nos seguintes cenários: presença de lesão suspeita na cistoscopia; hematúria (sangue na urina) com imagem vesical anormal; tumor de bexiga confirmado ou suspeito em exames de imagem; seguimento pós-RTUb prévia com nova lesão identificada.
Como é realizada?
A RTUb é realizada sob anestesia raquidiana ou geral, em ambiente hospitalar, com duração média de 30 a 60 minutos. O urologista introduz o ressectoscópio pela uretra até a bexiga, sem necessidade de cortes. Sob visão direta por câmera, as lesões suspeitas são ressecadas com alça elétrica, incluindo a camada muscular subjacente quando necessário. O material coletado é enviado para análise anatomopatológica, que determina o tipo histológico, o grau e a profundidade de invasão do tumor. Ao final, um cateter vesical é posicionado para drenar a bexiga durante a recuperação imediata.
Recuperação após a RTUb
A maioria dos pacientes permanece internada por 24 a 48 horas. O cateter vesical é retirado em geral no dia seguinte ao procedimento, e a alta hospitalar ocorre quando a urina está clara e o paciente consegue urinar normalmente. Nas primeiras semanas, é comum apresentar ardência ao urinar e presença discreta de sangue na urina. Recomenda-se ingestão abundante de líquidos, evitar esforço físico intenso por 2 a 4 semanas e abstinência sexual por pelo menos 2 semanas. O retorno às atividades habituais costuma ocorrer em 1 a 2 semanas, e o acompanhamento com o urologista é essencial para receber o resultado anatomopatológico e planejar os próximos passos.
Quais são os riscos?
A RTUb é um procedimento seguro, mas como qualquer intervenção cirúrgica, apresenta riscos que devem ser discutidos previamente com o urologista. Os mais comuns incluem sangramento urinário (hematúria), que na maioria dos casos se resolve espontaneamente, e infecção urinária, tratada com antibióticos. Perfuração vesical ocorre em menos de 5% dos casos e, quando pequena, é manejada de forma conservadora com cateterismo prolongado. A síndrome de ressecção transuretral, causada pela absorção de líquido de irrigação, é rara com o uso de soluções salinas modernas. A estenose uretral é uma complicação tardia pouco frequente. Seu urologista avaliará seus fatores de risco individuais e adotará as medidas preventivas adequadas.
O que acontece depois da RTUb?
O laudo anatomopatológico fica disponível em geral em 7 a 14 dias e é fundamental para definir o estadiamento do tumor e orientar o tratamento subsequente. Tumores superficiais de baixo grau podem ser tratados somente com RTUb, seguida de vigilância endoscópica periódica (cistoscopia de controle). Tumores de alto grau ou com invasão de lâmina própria geralmente requerem instilações intravesicais de BCG ou quimioterápico. Quando há invasão muscular, a cirurgia radical (cistectomia) pode ser necessária. Em todos os casos, o seguimento ambulatorial rigoroso é indispensável, pois o câncer de bexiga tem elevada taxa de recorrência e o diagnóstico precoce das recidivas é o que garante os melhores resultados terapêuticos.
Perguntas frequentes
A RTUb é dolorosa?
Não. O procedimento é realizado sob anestesia, portanto o paciente não sente dor durante a cirurgia. No pós-operatório imediato pode haver desconforto urinário leve, controlado com analgésicos comuns.
Preciso ficar internado por quanto tempo?
Em geral, a internação dura de 24 a 48 horas. Procedimentos menores podem permitir alta no mesmo dia, enquanto casos mais complexos podem requerer internação um pouco mais prolongada.
A RTUb cura o câncer de bexiga?
Em tumores superficiais de baixo grau, a RTUb pode ser suficiente para o controle da doença, especialmente quando combinada a vigilância endoscópica regular. Em tumores de alto grau ou com invasão muscular, o procedimento faz parte de um plano de tratamento mais amplo que pode incluir instilações intravesicais, radioterapia ou cirurgia radical. O urologista discutirá a melhor estratégia para cada caso.
Com que frequência preciso fazer cistoscopia de controle?
A frequência depende do risco de recorrência. Em tumores de baixo risco, realiza-se cistoscopia em 3 meses após a RTUb e, se negativa, a cada 12 meses por 5 anos. Em tumores de risco intermediário ou alto, o intervalo é menor e o protocolo de seguimento é individualizado. Seu urologista definirá o esquema mais adequado para o seu caso.


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