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Meu pai teve câncer de próstata: eu posso ter?

4 de ago.
4 min de leitura

Atualizado: 25 de out.

Se seu pai ou irmão teve câncer de próstata, o seu risco é maior, mas isso não significa que você terá a doença. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), homens com pai ou irmãos com câncer de próstata e homens negros devem iniciar a avaliação com o urologista aos 45 anos; os demais, aos 50.

Por Dr. Rafael Viterbo, urologista · CRM-RJ 521128426 · RQE 56547 · fellowship em Uro-oncologia (UERJ), com treinamento em cirurgia robótica. Revisado em 25/10/2026.

Ouvir que o pai ou o irmão foi diagnosticado com câncer de próstata costuma trazer uma pergunta imediata: “meu pai teve câncer de próstata, eu posso ter também?”. No consultório, essa é uma das dúvidas mais frequentes, e ela merece uma resposta clara e sem alarme.

Meu pai teve câncer de próstata: eu também vou ter?

Não necessariamente. Ter pai ou irmão com câncer de próstata coloca você em um grupo que merece mais atenção, mas muitos homens com um caso na família não desenvolvem a doença. O histórico familiar muda o momento de começar a conversar com o urologista, não o seu destino.

A idade em que o parente foi diagnosticado e o número de familiares afetados ajudam o médico a entender melhor o seu caso. Por isso, vale reunir essas informações antes da consulta.

O câncer de próstata é hereditário?

Em parte. Os especialistas costumam separar três situações:

  • Esporádico: não há outros casos na família. É a situação mais comum.

  • Familiar: há mais casos na família do que o esperado ao acaso, sem uma mutação identificada. Genes de pequeno efeito e hábitos de vida compartilhados podem contribuir.

  • Hereditário: existe uma mutação genética transmitida de pais para filhos, presente desde o nascimento.

Essa diferença ajuda a decidir quem precisa apenas antecipar a conversa sobre exames e quem pode se beneficiar de uma avaliação genética.

Com que idade devo procurar o urologista se meu pai teve câncer de próstata?

A partir dos 45 anos. Segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, homens com histórico de câncer de próstata na família (pai, irmãos) e homens negros devem iniciar a avaliação aos 45 anos; os demais, aos 50.

Isso não quer dizer que todo exame será feito nessa primeira consulta. Quem define o que fazer é o urologista, em decisão compartilhada com você, depois de ouvir seu histórico. Para entender melhor esse tema, leia também Quando começar o PSA?.

Que informações da família ajudam o urologista?

Antes da consulta, tente descobrir com os parentes:

  • Qual parente teve a doença: pai, irmão, tio ou outro.

  • Com que idade o diagnóstico foi feito.

  • Como foi o tratamento e se a doença chegou a se espalhar.

  • Se alguém da família, dos dois lados, teve câncer de mama, ovário, pâncreas ou intestino.

Essas respostas não precisam ser exatas. Mesmo informações aproximadas já orientam a conversa.

Quando o teste genético entra na conversa?

O teste genético não é rotina. O urologista pode considerar a avaliação quando há vários casos de câncer de próstata na família, diagnóstico em idade jovem ou outros tumores associados em parentes próximos. O resultado também diz respeito a irmãos, filhos e filhas, por isso o ideal é que seja feito com aconselhamento.

O que acontece na consulta e se o PSA vier alterado?

A avaliação inicial costuma incluir a conversa sobre o histórico, o exame de sangue do PSA e o toque retal. Se você tem receio do exame físico, o post Toque retal dói? explica o que esperar.

Um PSA alterado não é diagnóstico de câncer. Outros dados, como a densidade do PSA, ajudam a interpretar o resultado. Quando necessário, o urologista pode indicar a ressonância magnética da próstata antes de pensar em biópsia. Se o diagnóstico for confirmado, existem várias opções, e o post Câncer de próstata: o que fazer após o diagnóstico explica os próximos passos.

Perguntas frequentes

Câncer de próstata é hereditário?

Em parte. Existe uma forma hereditária, ligada a mutações transmitidas de pais para filhos, mas a maioria dos casos não é hereditária. Por isso, ter um caso na família é motivo para antecipar a conversa com o urologista, e não para presumir que a doença é inevitável.

Meu pai teve câncer de próstata: com que idade devo procurar o urologista?

Segundo a SBU, aos 45 anos para quem tem pai ou irmãos com câncer de próstata e para homens negros; os demais, aos 50 anos. A consulta serve para decidir, em conjunto com o médico, quais exames fazem sentido para você.

Se meu pai teve câncer de próstata, eu também vou ter?

Não necessariamente. O histórico familiar aumenta a atenção que o seu caso merece, mas muitos homens com pai ou irmão afetado nunca desenvolvem a doença. O que muda é o momento de começar a conversar sobre exames.

O risco é diferente se foi meu pai ou meu irmão?

Nos dois casos o histórico familiar é considerado, e a orientação da SBU de começar aos 45 anos vale para pai e irmãos. Para o urologista, importam também a idade em que o parente foi diagnosticado e quantos familiares tiveram a doença.

Preciso fazer teste genético?

Não é rotina. O urologista pode considerar o teste quando há vários casos de câncer de próstata na família, diagnóstico em idade jovem ou casos de câncer de mama, ovário, pâncreas ou intestino em parentes próximos. A decisão é individual e costuma vir com aconselhamento genético.

Câncer de mama ou de ovário na família do lado da minha mãe muda alguma coisa?

Pode mudar. Alguns genes ligados a esses tumores também estão relacionados ao câncer de próstata, por isso conte ao urologista todos os cânceres que apareceram na família, dos dois lados.

Quais exames o urologista pode pedir?

O PSA, exame de sangue, e o toque retal fazem parte da avaliação inicial. Se houver alteração, o urologista pode indicar a ressonância magnética da próstata e, quando necessário, a biópsia. Um PSA alterado não é diagnóstico de câncer.

Referências

Leia também

Dr. Rafael Viterbo · Urologista · CRM-RJ 521128426 · RQE 56547

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