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Incontinência urinária após a cirurgia de próstata: por que acontece e como recuperar

Ao lado da função sexual, o controle da urina é a outra grande preocupação de quem vai operar a próstata. Perder um pouco de urina ao tossir, rir ou fazer esforço nos primeiros dias após a prostatectomia radical é comum — e, na maioria das vezes, temporário. Entender por que isso acontece, o que fazer para acelerar a recuperação e quando é hora de tratar ajuda a encarar esse período com mais tranquilidade e menos ansiedade.

Por que a cirurgia pode causar perda de urina

A continência urinária masculina depende de dois “sistemas de segurança”: o esfíncter interno, na saída da bexiga (colo vesical), e o esfíncter externo, logo abaixo da próstata. Como a próstata fica exatamente entre esses dois pontos, a sua retirada altera esse equilíbrio: o esfíncter interno é sacrificado junto com a glândula, e passa a caber ao esfíncter externo, sozinho, a tarefa de segurar a urina. Até que ele se fortaleça e se readapte, pode haver escape — sobretudo aos esforços.

É normal? Quanto tempo dura

Sim: algum grau de perda logo após a retirada da sonda é esperado e faz parte da recuperação. A tendência é de melhora progressiva. De forma geral, cerca de metade dos homens já está seca (sem uso de absorventes) no primeiro mês, aproximadamente 80% em três meses e cerca de 90% em um ano. Uma parcela menor mantém perdas mais persistentes, que podem se beneficiar de tratamento específico — e, mesmo nesses casos, há soluções muito eficazes.

Que tipo de perda é essa?

O padrão mais comum após a cirurgia é a incontinência de esforço: o escape acontece quando a pressão dentro do abdome aumenta — ao tossir, espirrar, rir, levantar peso ou levantar-se da cadeira. Diferente da bexiga hiperativa (aquela vontade súbita e incontrolável de urinar), a incontinência de esforço responde muito bem ao fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico.

Fisioterapia do assoalho pélvico e exercícios de Kegel

Esse é o pilar da recuperação. Os exercícios de Kegel consistem em contrair e relaxar, de forma repetida, os músculos que usamos para “segurar o xixi” ou prender um gás — sem contrair a barriga, os glúteos ou as coxas. Feitos com regularidade, fortalecem o esfíncter externo e o suporte da bexiga. As diretrizes internacionais recomendam oferecer o treinamento do assoalho pélvico a todos os homens operados, inclusive já no pós-operatório imediato.

Sempre que possível, vale contar com um fisioterapeuta especializado em saúde pélvica. Com técnicas como o biofeedback (que mostra na tela se você está contraindo o músculo certo) e a eletroestimulação, os resultados melhoram: a fisioterapia pélvica traz benefício em torno de 85% dos casos de perda urinária após a cirurgia de próstata.

Comece antes da cirurgia

Um detalhe que faz diferença: aprender e treinar os exercícios de Kegel antes da operação. Quem chega à cirurgia já sabendo ativar corretamente a musculatura tende a recuperar o controle da urina mais rápido. Se a sua cirurgia ainda está sendo planejada, peça essa orientação — é um investimento simples e valioso.

Dicas práticas para o dia a dia

  • Mantenha uma boa hidratação, mas distribua os líquidos ao longo do dia e reduza-os à noite.

  • Vá com calma na cafeína e no álcool: eles irritam a bexiga e pioram a urgência.

  • Evite a prisão de ventre — o intestino cheio pressiona a bexiga; capriche nas fibras.

  • Controle o peso: o excesso de gordura abdominal aumenta a pressão sobre o assoalho pélvico.

  • Use os protetores masculinos sem constrangimento nessa fase; eles dão segurança para você retomar a rotina.

Quando a perda persiste: o que fazer

Se, após cerca de 12 meses de fisioterapia bem feita, a perda ainda incomodar de forma significativa, existem procedimentos com ótimos resultados:

  • Sling masculino: uma faixa que dá suporte à uretra, indicada em casos leves a moderados.

  • Esfíncter urinário artificial: considerado o padrão-ouro para perdas moderadas a intensas. É um dispositivo que substitui a função do esfíncter, acionado de forma simples pelo próprio paciente, com altíssima satisfação.

A escolha depende da intensidade da perda e das suas características — e é sempre uma decisão conjunta com o seu urologista.

Quando procurar ajuda

Perda de urina que não melhora, que piora ou que atrapalha o seu sono, o trabalho e a vida social merece avaliação. Não encare como algo com que você “terá que conviver”: na grande maioria dos casos, é possível recuperar o controle e a qualidade de vida.

Referências

American Urological Association (AUA/GURS/SUFU). Incontinence after Prostate Treatment: Guideline (2019; atualizada em 2024). Disponível em: auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines

European Association of Urology (EAU). EAU Guidelines on Non-neurogenic Male LUTS e Urinary Incontinence. Disponível em: uroweb.org/guidelines

Sociedade Brasileira de Urologia (SBU). Disponível em: portaldaurologia.org.br

Perguntas Frequentes

Todo homem fica incontinente depois da cirurgia de próstata?

Não. Algum escape nos primeiros dias é comum, mas costuma ser temporário. A maioria recupera o controle ao longo de semanas a meses, e apenas uma parcela menor mantém perdas persistentes que exigem tratamento adicional.

Quanto tempo até parar de usar absorvente?

Varia de pessoa para pessoa. De forma geral, cerca de metade dos homens está seca no primeiro mês, aproximadamente 80% em três meses e cerca de 90% em um ano. A fisioterapia pélvica ajuda a encurtar esse tempo.

Os exercícios de Kegel funcionam mesmo?

Sim. O treinamento do assoalho pélvico é recomendado pelas diretrizes e acelera a recuperação da continência. Feito com orientação de um fisioterapeuta e recursos como o biofeedback, melhora em torno de 85% dos casos.

Devo começar os exercícios antes da cirurgia?

Idealmente, sim. Treinar a musculatura do assoalho pélvico antes da operação ajuda a recuperar o controle da urina mais rapidamente no pós-operatório.

E se a perda não melhorar depois de um ano?

Há soluções eficazes, como o sling masculino (para casos leves a moderados) e o esfíncter urinário artificial (padrão-ouro para perdas moderadas a intensas). A indicação é individualizada conforme a intensidade da perda.

A cirurgia robótica reduz o risco de incontinência?

Técnicas de preservação do esfíncter e do suporte da bexiga, aliadas à experiência do cirurgião, favorecem a recuperação da continência. A abordagem minimamente invasiva pode ajudar na recuperação inicial, mas o cuidado no pós-operatório — especialmente a fisioterapia — é igualmente decisivo.

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Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação médica individual. Dr. Rafael Viterbo é urologista com atuação em uro-oncologia e cirurgia robótica, no Centro do Rio de Janeiro (Av. Rio Branco, 185, sala 428). Para agendar uma consulta: (21) 97613-5662.

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