top of page

Estudo PROTEUS: tratamento hormonal antes e depois da cirurgia no câncer de próstata de alto risco

Por décadas, o tratamento do câncer de próstata de alto risco que vai para a cirurgia mudou pouco. O estudo PROTEUS acaba de trazer um dos resultados mais importantes dos últimos anos nessa área: associar uma medicação hormonal de nova geração antes e depois da prostatectomia reduziu o risco de a doença se espalhar. É um resultado com potencial de mudar a prática.

O que é o estudo PROTEUS

O PROTEUS é um grande estudo clínico internacional de fase 3 — a etapa final de testes antes de uma conduta poder se tornar padrão. Foi conduzido com o rigor mais alto da pesquisa médica: duplo-cego e controlado por placebo, ou seja, os participantes foram sorteados para receber o tratamento em teste ou um placebo, sem que paciente ou médico soubessem qual era qual.

Participaram 2.109 homens com câncer de próstata de alto risco ou localmente avançado, candidatos à cirurgia. Todos receberam o bloqueio hormonal padrão (ADT); metade recebeu, além disso, um medicamento hormonal de nova geração chamado apalutamida, e a outra metade recebeu placebo. O tratamento foi dado em duas fases: antes da cirurgia (neoadjuvante, por cerca de 6 ciclos) e mantido depois dela (adjuvante, por mais cerca de 6 ciclos).

O que o estudo encontrou

O PROTEUS atingiu seus dois objetivos principais:

Menos metástases. A combinação reduziu em 20% o risco de metástase ou morte em comparação com o placebo. Na prática, a chance de estar livre de metástases em 5 anos subiu de 73,5% para 78,2%.

Mais resposta no tumor operado. Os homens que receberam apalutamida antes da cirurgia tiveram quase 10 vezes mais chance de apresentar resposta completa ou doença mínima na análise da próstata retirada (8,9% contra 1,0% no placebo) — sinal de que o tratamento realmente atacou o tumor antes da operação.

Mais tempo sem que a doença avançasse. O tempo médio livre de eventos (como recidiva ou progressão) passou de 38,4 meses no grupo placebo para 57,1 meses no grupo da apalutamida.

E a sobrevida global?

Aqui está o ponto que merece honestidade: os dados de sobrevida global — isto é, viver mais — ainda não estão maduros e seguem em acompanhamento. O estudo mostrou, até agora, que a estratégia adia e reduz o aparecimento de metástases, mas ainda não é possível afirmar que ela faz os pacientes viverem mais. Esse é um dado que o tempo de seguimento dirá.

Por que isso importa

Até aqui, tratar o câncer de próstata com terapia hormonal antes da cirurgia não era padrão, justamente porque os estudos anteriores não mostravam ganho consistente em desfechos importantes. O PROTEUS é o primeiro grande estudo de fase 3 a demonstrar benefício claro de uma estratégia perioperatória (antes e depois da cirurgia) com um medicamento hormonal moderno no câncer de próstata de alto risco. Por isso ele é descrito como um resultado capaz de redefinir o tratamento desse grupo de pacientes.

O que isso significa para você

Se você tem câncer de próstata de alto risco, esse resultado é uma boa notícia: amplia as possibilidades de tratamento e reforça a importância de uma abordagem completa, e não apenas da cirurgia isolada. Mas alguns pontos precisam ficar claros.

A incorporação de uma nova estratégia à prática do dia a dia depende de aprovação regulatória e da atualização das diretrizes, o que acontece de forma gradual. O melhor tratamento continua sendo individualizado e decidido em conjunto com o seu urologista, idealmente em discussão multidisciplinar, levando em conta as características do seu tumor, seu estado geral e seus objetivos. A terapia hormonal intensificada também tem efeitos colaterais que precisam ser pesados caso a caso.

Se você recebeu o diagnóstico de câncer de próstata de alto risco e quer entender o que esse novo resultado significa para a sua situação, agende uma avaliação para discutirmos as opções de forma individualizada.

Perguntas Frequentes sobre o estudo PROTEUS

O PROTEUS mostrou que o tratamento funciona?

Sim. O estudo atingiu seus dois objetivos principais: reduziu o risco de metástase ou morte (sobrevida livre de metástase) e aumentou muito a chance de resposta completa do tumor na cirurgia.

Então esse tratamento já faz as pessoas viverem mais?

Ainda não está comprovado. O benefício demonstrado até agora foi na redução de metástases. Os dados de sobrevida global (viver mais) ainda estão imaturos e continuam sendo acompanhados.

O que é a apalutamida?

É um medicamento hormonal de nova geração que bloqueia a ação dos hormônios masculinos (andrógenos) sobre as células do câncer de próstata. Já era usado em fases mais avançadas da doença; o PROTEUS testou seu uso mais cedo, em torno da cirurgia.

Qual a diferença entre tratamento neoadjuvante e adjuvante?

Neoadjuvante é o que se faz antes da cirurgia, para reduzir o tumor e atacar a doença microscópica. Adjuvante é o que vem depois, para diminuir o risco de a doença voltar. O PROTEUS usou os dois.

Esse tratamento já está disponível para todos os pacientes?

A disponibilidade na prática depende de aprovação regulatória e da incorporação às diretrizes, que ocorre gradualmente. Por isso, a indicação deve ser discutida individualmente com seu urologista.

Referências

Estudo PROTEUS — Perioperative Apalutamide + ADT with Radical Prostatectomy (fase 3, NCT03767244). ClinicalTrials.gov. Disponível em: clinicaltrials.gov/study/NCT03767244

European Association of Urology (EAU). EAU Guidelines on Prostate Cancer. Disponível em: uroweb.org/guidelines

Leia também


Dr. Rafael Viterbo

Urologista | Uro-oncologia

📍 Av. Rio Branco, 185 - 428 - Centro, Rio de Janeiro

Comentários


Local de atendimento - Centro RJ

Clínica Vivace

Av. Rio Branco, 185 - 428 - Centro, Rio de Janeiro - RJ, 20040-007

Em frente a estação de metro Carioca

Clinica vivace
bottom of page