Ultrassom intraoperatório: precisão para preservar o rim
- Dr. Rafael Viterbo

- 3 de jan.
- 4 min de leitura
Atualizado: há 6 dias
A nefrectomia parcial — cirurgia que remove apenas a parte do rim com o tumor, preservando o restante do órgão — é considerada o padrão ouro para o tratamento do câncer de rim localizado. Uma das ferramentas que aumenta a precisão e a segurança desse procedimento é o ultrassom intraoperatório. Este artigo explica como ele funciona e por que sua utilização representa um avanço importante na cirurgia renal.
O que é o ultrassom intraoperatório
O ultrassom intraoperatório é a aplicação da ultrassonografia diretamente durante a cirurgia, com uma sonda estéril colocada sobre o rim exposto ou, no caso da cirurgia robótica, através das incisões do trocater. Diferente dos exames de imagem feitos antes da cirurgia — tomografia e ressonância — o ultrassom intraoperatório fornece uma visão em tempo real do tumor e de sua relação com as estruturas internas do rim durante o procedimento.
Por que a localização do tumor é desafiadora
Alguns tumores renais são facilmente visíveis na superfície do rim — eles formam uma saliência que o cirurgião identifica visualmente sem dificuldade. No entanto, tumores endofíticos (que crescem para dentro do rim) ou parcialmente endofíticos podem não ser visíveis na superfície. Sem auxílio de imagem, o cirurgião dependeria de referências anatômicas externas para localizar e delimitar a extensão do tumor — o que aumenta o risco de remoção incompleta ou de ressecção excessiva de tecido saudável.
Como o ultrassom intraoperatório ajuda
O ultrassom intraoperatório resolve esse problema ao:
Localizar com precisão o tumor dentro do parênquima renal, mesmo quando não é visível na superfície
Definir as margens entre o tumor e o tecido renal normal, guiando o plano de ressecção
Identificar estruturas vasculares próximas ao tumor, reduzindo o risco de sangramento
Confirmar a ressecção completa ao verificar, ainda durante a cirurgia, se há tecido tumoral residual
Reduzir a isquemia (tempo com o rim sem fluxo sanguíneo), pois a localização mais rápida e precisa agiliza a etapa mais crítica da cirurgia
Ultrassom intraoperatório na cirurgia robótica
Na nefrectomia parcial robótica, o uso do ultrassom intraoperatório é especialmente valioso. A cirurgia robótica, apesar de suas inúmeras vantagens — magnificação de imagem, precisão de movimentos, menor sangramento — elimina o tato direto do cirurgião sobre o órgão, que nas cirurgias abertas permitia palpar o tumor. O ultrassom compensa essa limitação, fornecendo informação espacial em tempo real que orienta cada passo da ressecção.
Impacto nos resultados cirúrgicos
Estudos demonstram que o uso do ultrassom intraoperatório na nefrectomia parcial está associado a:
Maior taxa de margens cirúrgicas negativas (ausência de tumor na borda do tecido removido)
Menor volume de parênquima renal saudável ressecado
Melhor preservação da função renal no pós-operatório
Menor necessidade de conversão para nefrectomia total
Preservar o rim importa: por quê
A preservação do tecido renal não é apenas uma questão estética ou técnica. Há uma relação bem estabelecida entre a quantidade de rim funcionante preservada e o risco cardiovascular e de doença renal crônica a longo prazo. Cada unidade de função renal preservada tem impacto real na saúde do paciente ao longo dos anos. Por isso, o objetivo da nefrectomia parcial vai além de remover o tumor — é remover apenas o necessário, com segurança oncológica e máxima preservação funcional.
Quem se beneficia do ultrassom intraoperatório
O uso do ultrassom intraoperatório é especialmente indicado em:
Tumores endofíticos ou parcialmente endofíticos
Tumores de localização central ou hilar (próximos aos grandes vasos do rim)
Rim único ou rim contralateral com função comprometida
Pacientes com múltiplos tumores renais
Casos em que a tomografia ou ressonância pré-operatória deixam dúvidas sobre a delimitação do tumor
Ficou com dúvidas sobre o seu caso? Agende uma consulta no Centro do Rio de Janeiro e avalie sua situação de forma individualizada.
Perguntas frequentes sobre nefrectomia parcial e ultrassom intraoperatório
A nefrectomia parcial é sempre possível?
Não. A viabilidade depende do tamanho, localização e características do tumor, além das condições clínicas do paciente. Tumores muito grandes, centrais ou com envolvimento vascular extenso podem requerer nefrectomia total. A indicação é feita caso a caso.
O rim fica com uma "marca" após a nefrectomia parcial?
Sim, a área da ressecção é suturada e cicatriza. O rim continua funcionando normalmente na área preservada.
Quanto tempo dura a cirurgia?
A nefrectomia parcial robótica dura em média 2 a 4 horas, dependendo da complexidade do tumor.
Qual é o tempo de internação e recuperação?
A maioria dos pacientes recebe alta em 1 a 3 dias após a cirurgia robótica. O retorno às atividades leves ocorre em torno de 2 a 3 semanas.
Se você recebeu esse diagnóstico e não sabe qual o próximo passo, agende uma consulta. O objetivo da avaliação é sair com um plano claro — sem dúvidas e sem demora desnecessária.
Referências
European Association of Urology (EAU). EAU Guidelines on Renal Cell Carcinoma. Disponível em: uroweb.org/guidelines
American Urological Association (AUA). Renal Mass and Localized Renal Cancer: AUA Guideline. Disponível em: www.auanet.org/guidelines-and-quality/guidelines



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