Câncer de próstata: avaliação do caso e das opções de tratamento
Receber o diagnóstico de câncer de próstata, ou a suspeita dele, gera muitas dúvidas. O câncer de próstata pode crescer devagar ou ser mais agressivo, e por isso não existe um único tratamento para todos os casos. A consulta serve para entender o seu caso e as opções.
Esta página explica, em linguagem simples, o que significam os principais exames, quais caminhos existem e como se preparar para a consulta.
O que significam os exames
- PSA: exame de sangue que mede uma proteína produzida pela próstata. Pode subir por câncer, mas também por aumento benigno da próstata, inflamação, infecção ou procedimentos recentes. Um PSA alterado indica investigação, e não é, sozinho, um diagnóstico.
- Ressonância da próstata (PI-RADS): o laudo dá a cada área suspeita uma nota de 1 a 5. Notas 1 e 2 indicam baixa probabilidade de um câncer relevante; 3 é um resultado intermediário; 4 e 5 indicam maior suspeita. A ressonância costuma ser feita antes da biópsia e ajuda a direcionar as agulhas.
- Biópsia: retira pequenos fragmentos da próstata, guiados por ultrassom, para análise no laboratório. É a biópsia que confirma o diagnóstico; um resultado sem câncer nem sempre encerra a investigação.
- Gleason e grupo ISUP: a patologia descreve o aspecto das células. O escore de Gleason (por exemplo, 3+3=6 ou 3+4=7) corresponde a um grupo ISUP, de 1 a 5: quanto maior o grupo, maior a tendência de o tumor crescer e se espalhar. O laudo também informa quantos fragmentos têm tumor e quanto de cada fragmento está comprometido.
- Estadiamento: conforme o risco, podem ser pedidos exames para saber se a doença está restrita à próstata, como tomografia, cintilografia óssea ou PET-PSMA. Em casos de baixo risco, em geral esses exames não são necessários.
Grupos de risco
Com o PSA, o grupo ISUP, o exame de toque e as imagens, o caso é classificado em grupos de risco: baixo, intermediário (favorável ou desfavorável), alto ou muito alto, além da doença localmente avançada ou com metástases. O grupo de risco é uma das bases para decidir entre acompanhar e tratar e para escolher o tipo de tratamento.
Como o tratamento é escolhido
A decisão leva em conta o resultado da biópsia, o PSA, os exames de imagem, o grupo de risco e o estadiamento da doença, além da sua idade, da sua saúde geral e das suas prioridades, como controle urinário, vida sexual, trabalho e rotina. As recomendações das diretrizes (EAU, AUA e NCCN) e da Sociedade Brasileira de Urologia orientam essa conversa.
Em muitos casos existe mais de uma opção adequada, e a escolha é feita junto com você. No câncer de próstata localizado, muitas vezes há tempo para entender as opções com calma antes de decidir; o médico diz se o seu caso pede mais rapidez.
Opções que podem ser discutidas
- Vigilância ativa: acompanhamento programado com PSA, consultas, ressonância e, quando indicado, nova biópsia, para tratar se o tumor mostrar sinais de mudança. É a conduta recomendada pelas diretrizes para a maior parte dos casos de baixo risco e pode ser considerada em casos selecionados de risco intermediário favorável;
- Observação: para homens com outras doenças importantes ou idade mais avançada, o acompanhamento é feito com foco nos sintomas, que são tratados se aparecerem;
- Cirurgia (prostatectomia radical): retirada da próstata e das vesículas seminais, às vezes junto com gânglios linfáticos da pelve, em casos selecionados;
- Radioterapia: externa ou braquiterapia (fontes de radiação colocadas na próstata), com ou sem tratamento hormonal por um período, conforme o risco;
- Bloqueio hormonal e outras terapias sistêmicas: usados junto com a radioterapia em alguns casos e como base do tratamento na doença avançada, em conjunto com o oncologista clínico.
Cada opção tem efeitos, rotina de tratamento e forma de acompanhamento diferentes, e é isso que se conversa na consulta. Radioterapia e tratamentos sistêmicos são conduzidos pelo radioterapeuta e pelo oncologista clínico, e o Dr. Rafael discute os casos, quando necessário, com profissionais capacitados, como oncologista e radioterapeutas. Quando a vigilância ativa é a opção, o acompanhamento pode ser feito com o Dr. Rafael.
A prostatectomia robótica é o nome de uma das formas de realizar a prostatectomia, e é um dos procedimentos realizados pelo Dr. Rafael quando a cirurgia está indicada. Nem todo paciente precisa ou pode ser operado.
Como é a cirurgia, em linhas gerais
A prostatectomia é feita em hospital, com anestesia geral; o hospital é combinado com você conforme o seu caso. Ao final, o paciente fica com uma sonda na uretra por alguns dias, enquanto cicatriza a nova ligação entre a bexiga e a uretra. O tempo de internação e os cuidados de cada etapa são explicados antes da cirurgia. Em casa, a orientação inclui caminhar, evitar esforço físico por algumas semanas e voltar às consultas para retirar a sonda e conhecer o resultado da patologia. Depois, o PSA é acompanhado periodicamente.
Efeitos do tratamento
Qualquer tratamento tem efeitos possíveis, como alterações do controle urinário e da função sexual. Eles variam de pessoa para pessoa e são conversados antes da decisão, junto com as estratégias de reabilitação.
- Depois da cirurgia, em geral o controle da urina melhora aos poucos, em tempo e grau que variam de pessoa para pessoa; quando a perda persiste, existem tratamentos, e os exercícios do assoalho pélvico (fisioterapia pélvica) fazem parte da reabilitação;
- a ereção depende de vários fatores, como a função antes do tratamento, a idade e a possibilidade de preservar os nervos, e existem tratamentos para a reabilitação sexual;
- depois da prostatectomia não há mais saída de sêmen na ejaculação;
- a radioterapia pode causar efeitos urinários, intestinais e sexuais, e o bloqueio hormonal pode causar ondas de calor, cansaço, queda do desejo sexual e efeitos nos ossos e no metabolismo.
Sinais de alerta
Procure atendimento sem esperar a consulta se houver:
- febre ou calafrios, principalmente nos dias seguintes a uma biópsia ou a uma cirurgia;
- dificuldade ou impossibilidade de urinar, ou sonda que para de drenar;
- urina muito vermelha ou com coágulos;
- dor abdominal que aumenta;
- dor ou inchaço em uma das pernas, ou falta de ar, depois de uma cirurgia.
Quem é operado pelo Dr. Rafael recebe o telefone dele e o da clínica para contato depois da cirurgia. Em situação grave, procure diretamente um serviço de emergência.
Quando uma segunda opinião ajuda
- antes de escolher o tratamento, para conhecer todas as opções do seu caso;
- quando o laudo da ressonância ou da biópsia deixa dúvida;
- quando você recebeu orientações diferentes e quer entendê-las;
- quando o PSA volta a subir depois de um tratamento.
Pedir uma segunda opinião é comum e não atrapalha o acompanhamento com o seu médico. Em alguns casos, também se pede a revisão das lâminas da biópsia por outro patologista.
Como é a consulta
O Dr. Rafael revisa o seu histórico, os exames e o laudo da biópsia, explica o que cada resultado significa e quais são as opções no seu caso. Você pode vir para uma primeira avaliação ou para uma segunda opinião.
O que levar
- laudo da biópsia e, se for pedida revisão da patologia, as lâminas (e às vezes o bloco), retiradas no laboratório que analisou a biópsia;
- todos os PSAs anteriores, com as datas;
- ressonância, tomografia, cintilografia ou PET, com laudo e imagens (CD, pendrive ou link);
- lista de medicamentos, principalmente anticoagulantes, e de doenças prévias;
- histórico de câncer na família, como de próstata, mama, ovário ou pâncreas, que pode levar a uma conversa sobre aconselhamento genético;
- suas perguntas, anotadas.
Como a família pode ajudar
Vir junto à consulta, anotar as explicações, ajudar a reunir os exames e participar da decisão quando o paciente desejar. Depois de um tratamento, o apoio em casa ajuda nas primeiras semanas, com deslocamentos, cuidados com a sonda e caminhadas. Irmãos e filhos podem conversar com os próprios médicos sobre a avaliação da próstata, informando o histórico familiar.
Formação
Fellowship em Uro-Oncologia e Cirurgia Robótica pela UERJ.
Perguntas frequentes
Todo câncer de próstata precisa ser tratado logo?
Não. Em casos de baixo risco, a vigilância ativa é uma opção recomendada pelas diretrizes, e em muitos outros casos há tempo para decidir com calma.
Vigilância ativa é não fazer nada?
Não. É um acompanhamento programado, com exames periódicos, e o tratamento é indicado se houver sinais de mudança. O acompanhamento pode ser feito com o Dr. Rafael.
O que quer dizer PI-RADS 4 ou 5?
Que a ressonância mostrou uma área com maior suspeita de câncer relevante. Em geral, a biópsia é indicada para esclarecer.
O que significa Gleason 6 (ISUP 1)?
É o grupo de menor tendência a crescer e se espalhar, e muitas vezes pode ser acompanhado com vigilância ativa.
Na cirurgia robótica, quem opera é o robô?
Não. O cirurgião controla o equipamento durante todo o procedimento. A forma de fazer a cirurgia é conversada caso a caso.
Vou perder o controle da urina depois da cirurgia?
Em geral, o controle melhora aos poucos, em tempo e grau que variam de pessoa para pessoa; quando a perda persiste, existem tratamentos, e a fisioterapia pélvica faz parte da recuperação. O que esperar no seu caso é explicado antes.
E a ereção?
Depende da função antes do tratamento, da idade e do tipo de tratamento. Existem opções de reabilitação, e o assunto é conversado antes da decisão.
Posso pedir uma segunda opinião?
Sim, e é comum. Traga os laudos, as imagens e, se possível, as lâminas da biópsia.
Dá para ter uma segunda opinião a distância ou por teleconsulta?
Conforme o caso, sim. O Dr. Rafael também atende por teleconsulta, em que analisa com você os laudos e os exames. Se a teleconsulta é adequada ao seu caso é avaliado antes, porque algumas situações pedem consulta e exame presenciais.
Preciso ter o diagnóstico para marcar?
Não. Também é possível marcar para entender um PSA alterado ou uma suspeita.
Atende plano de saúde?
O atendimento é particular, com nota fiscal e, quando o plano exige, relatório para você solicitar reembolso; o reembolso depende das regras de cada plano.
Como agendar?
Pelo botão de WhatsApp desta página: a recepção da Clínica Vivace marca e confirma o horário da consulta com o Dr. Rafael, que atende às terças (à tarde) e às quintas. O retorno para mostrar os exames está incluído.
Atendimento particular, com nota fiscal e, quando o plano exige, relatório para solicitar reembolso; o reembolso depende das regras de cada plano.
Dr. Rafael Viterbo · Urologista · CRM-RJ 521128426 · RQE 56547
Clínica Vivace, Av. Rio Branco 185, sala 428, Centro (em frente ao metrô Carioca)
Este texto é educativo e não substitui a consulta. Cada caso é avaliado individualmente.

